quarta-feira, setembro 11, 2002

Estranho chegar em casa agora. Estranho andar de um lado pro outro. As janelas incomodando. A rua... a rua pública demais.

segunda-feira, setembro 09, 2002

achava lindo aqueles tons prata, vermelho e preto. olhava aqueles olhos que parecem não poder ver. que pareciam olhinhos de pano e esponja, e, sem poder nem respirar para que ficasse, eu me punha a observar a língua frenética que se alimentava do sujo da minha roupa. e para ver aquele prata mais lindo de todos eu suportava o mal-estar da cócegas e fantasiava algum contato olhando bem nos olhos de almofadas de veludo vermelhas. achava que se ela entendesse que eu a queria alí, eu poderia me mexer que ela nao ia embora com medo. e no fundo acho que cheguei a estabelecer alguns. elas ficavam passeando em mim. dando voltas em si mesmas para que eu pudesse olhar todo o seu corpo prateado de rasgos pretos. e me olhava nos olhos. e eu imaginava que ela me via como eu via a ela. sabia que não. sabia que ela via mais que eu, em mais dimensões e que podia e ver estando quase de costas pra mim. mas não importava. ela me via quando me olhava assim de frente, com seus olhos opacos e macios, olhos vermelhos estranhos olhando os meus comuns castanhos, que tem por aí um monte e que para vê-los eu não precisava de nenhuma sorte, acaso ou sacrifício. bastaria pedir, Olha aqui pra mim.
EM VEZ DE 'LAR DOCE LAR'...

"Dorme hoje um casal de virtudes no mesmo espaço de chão que sofreu um casal de pecados. Amanhã pode lá dormir um eclesiástico, depois um assassino, depois um ferreiro, depois um poeta, e todos abençoarão esse canto da terra, que lhes deu algumas ilusões."

sábado, setembro 07, 2002

Oi! cheguei...

sábado, agosto 31, 2002

"Mas o amor irradia
E é todo flores
E de febo a alegria
Enche-o de cores,
E tal chuva desfia
Imensas dores."

"Eu procurei no amor um sono de esquecer"

quinta-feira, agosto 29, 2002

Estou gostando de estar sozinha na cadeira da noite. Gostando da novidade. Gostando ainda mais de ter que ler livrinhos de criança. João e suas metades. Tão pequenininho e já entendendo tudo. Que ele é feito de partes. Metades. Antíteses. Guiado pelo pai ou não. Entendeu que é fogo e água, vivo e morto, carne e osso, com olho e sem olho. Enfim. João, eu sou sua fã. Não importa se no fundo, sou fã sua e de seu pai escritor. Para mim foi você. E eu adorei.

Tem outro cara que eu nunca vou esquecer. O Nicolau. Aquele, da Ruth Rocha, que tinha uma idéia. E contou a idéia que tinha pra o João - um outro João, mas quem sabe ao mesmo também - que por sua vez também tinha uma idéia e ficou com duas idéias. E contou a sua para Nicolau e Nicolau também ficou com duas idéias. E continuaram. Todos na cidade - e fora dela - resolveram contar suas idéias. No fim, todo mundo na cidade tinha um monte de idéias. E o Nicolau lá, e cima da colina, contando tudo o que ouviu para as crianças. Ruth, Nicolau, sou fã de vocês.

E ainda tem a Giselda e sua Princesa Marta. Sobre Giselda já ouvi de tudo. Que é horrível, que é maravilhoso. Pra mim, Giselda é que nem todo mundo. Faz coisas fantásticas mas também faz muita coisa ruim. Ruim mesmo. Eu, particularmente, gosto do que ela fez de fantástico, e, sou sim, fã dela por essas coisas. As coisas coisas ruins não estragam as boas. Seu Rei Mandou Dizer. E todo dia o Rei Gordo ouvia as pessoas e dizia e mandava dizer. E o povo ouvia o que ele dizia e acreditava e ia pra casa. E sempre foi assim, desde seu avô e do avô de seu avô. Até que um dia a Princesa Marta pula da cama, "Tive uma idéia". Não, desta vez não foi o Nicolau que contou idéias a ela. O que sei é que a idéia dela fez desmaiar a aia velha, que a vira nascer. "Onde já se viu princesa ter idéia?". Pois ela teve. E acreditou nesta idéia e foi atrás. E no fim, ela tava era certa. E conseguiu. Danada, essa Princesa Marta. Danada mesmo. Giselda, você fez a melhor Princesa Marta do mundo!

quarta-feira, agosto 28, 2002

pior que não ter de fato, não ter de incerteza. mais incômodo. mais desesperador. mais solitário e inconformado. complicado. adoecido. cinza. devagar demais. desencontrado. desencaixado. os olhos não são mais os mesmos. as mãos. a voz. amedrontado demais agora. impaciente. mais que confuso. a palavra 'confuso' já não resolve o estado. sensação de desconhecer. medo. medo demais que quase não dou conta. precisa de uma força que não sei ter. tenho outras. essa não. porque só consigo as coisas que acredito. porque tenho que sentir de verdade o retorno das coisas. porque assim sou insegura. gosto de caminhar em terra firme.

terça-feira, agosto 27, 2002

largo. largo e imenso, hoje. tanto que dá é medo.

segunda-feira, agosto 26, 2002

nao ia mais postar testes, mas "Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a)." foi demais pro meu ego..





Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia


mais alguém aí desconfia dessas tais de urnas eletrônicas ou é uma neurose minha?
não, porque, convenhamos, nada mais simples que programar uma urna eletrônica, visto que já teve "hacker" se passando até por presidente. eu não confio. eu não acredito nos chips. eu detesto esta história de urna eletrônica. é roubar votos (obrigatórios) descaradamente. sistema idiota. povo idiota. aceitação idiota. grrrr...

domingo, agosto 25, 2002

A canção tocou na hora errada. E eu que pensei que eu sabia tudo, mas se é você eu não sei nada. Quando vi, a canção era madrugada. Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caía bem com uma luva. Mas veio a chuva, ficou tudo tão desigual.
A canção tocou no rádio agora, mas você não pôde ouvir por causa do temporal.
Mas guardei duas cartas com letras de fôrma. Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora.
A canção tocou na hora errada. Mas não tem nada não, eu até lembrei das rosas que dão no inverno.

n a e s t a ç ã o, c e d o d e m a n h ã, v e j o t r e n z i n h o s u m a t r á s d o o u t r o, v e j o o c a p i t ã o s o a n d o o a p i t o, PLOF PLOF, TUF TUF, v a i p a r t i r, na estação cedo de manhã, vejo trenzinhos um atrás do outro, vejo o capitão soando o apito, PLOF PLOF TUF TUF, vai partir, naestaçãocedodemanhãvejotrenzinhosumatrásdooutrovejoocapitãosoandooapitoPLOFPL
OFTUFTUFvaipartir...

sexta-feira, agosto 23, 2002

esse Drummond entendeu mesmo tudo...


QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
ESTRAMBOTE MELANCÓLICO

Tenho saudade de mim mesmo, sau-
dade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha ausência meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d'alva
penetra longamente seu espinho

(e cinco espinhos são) na minha mão.
Uma palpitação. Um formigamento. Parece até que abri uma porta. Uma porta que dá para vento e que quando a gente abre desarruma a toalha da mesa. Uma porta sem maçaneta. Não há um ponto certo. O lugar exato de abrir. Se tem o arco? O portal? Diria que ela é de madeira. É o que posso ver. De madeira leve e clara. Cerejeira, quem sabe. Uma porta vai-e-vem. Nada de rodinhas. E eu lá. empurrando. puxando. sentindo o vento no rosto e colocando um peso em cima da mesa para que a toalha não caia.

quinta-feira, agosto 22, 2002

Aliás, são dois quadros. O outro é de Barcelona. Uma escadaria e umas pessoas fantasiadas descendo essa escadaria. Umas figurinhas engraçadas. Um com cabeça de sol. Umas roupas que serviriam para pierrôs se não fossem de um milhão de cores. E dourados e vermelhos.
Na minha sala de inglês tem um quadro de algum lugar da Espanha. Las Medulas. Ache que é esse o nome. São umas montanhas lindas e um rio em volta delas, lá embaixo. Droga! Parece que me chama. Vem Mirella! Vem Mirella!
Arranjei uma vinculação para o número 23, que não tenha nada a ver com política nem aniversários... Cacá, o camisa 23 da seleção!!!

tudo be que o jogo hoje foi uma merda, foi horrível, foi vergonhoso, mas o cacá é lindinho e era uma vinculação assim que eu queria para esse número!!!

terça-feira, agosto 20, 2002

ãããããããããããã hahahahaahahahahaha... ahhhhhhhhhhh... quero ir logo pra lá pra cima, lá no continente que a gente conhece de trem.. hãhãhã... quero ir agora!

segunda-feira, agosto 19, 2002

Queria saber pôr links permanentes aqui. Aqueles que a gente faz uma listinha com os blogs que curte mais e deixa aí de ladinho... me sinto meio isolada sem esta listinha.
o que está acontecendo? o mundo está ao contrário e ninguém reparou. o que está acontecendo? eu estava em paz quando você chegou. o que você esta fazendo? milhões de vasos sem nenhuma flor. o que você esta fazendo? um relicário imenso desse amor. por que esta amanhecendo? peço o contrario, ver o sol se pôr. por que está amanhecendo? se eu não vou beijar seus lábios quando você se for. o que você está dizendo? milhões de frases sem nenhuma cor. o que você está dizendo? o que você esta fazendo? porquê que está fazendo assim?

eu trocaria a eternidade por essa noite.

domingo, agosto 18, 2002

miolo de pote. enchimento de balão de aniversário. transparente de bolha (a membrana é furtacor). buraco negro. pico de montanha alta. estrada de avião talvez fosse melhor. liberdade de esvoaçar. de ser gasoso de vez em quando. de não se poder pegar. de, talvez fosse até melhor, não existir só um pouquinho. depois existir de novo. existir sempre. mas de vez em quando só um pouquinho de nadinha de nada, ou de muito pouca coisa. um pouco de falta de olhos. um pouco de invisibilidade. um pouco de leveza. de quase falta de peso. um pouco de ausência de si mesmo. de ausência dos outros. não de ausência minha nos outros. mas de ausência dos outros em mim. mas isso só um pouco. só liberdade de poder escolher ter ausência. só um pouco. depois presença de novo. presença muita. liberdade de pelo menos poder ter outras asas que não as nossas. asa de humano é meio frustrante às vezes. queria asa de verdade. uma asa que me pudesse jogar vento na cara. muito vento. até bem longe.