segunda-feira, fevereiro 10, 2003
Naquele dia. Terreno bem preparado, fértil. Coisa de terra que errou uma vez e até agora acha que merece as conseqüências. Talvez mereça. Talvez não. E o sol bate dia após dia. E a chuva suaviza a vida e ameniza o desconforto. E lá fica ela, frouxa, roxa, madura e forte, à espera de um passarinho, talvez o famoso de cor verde, um que passe e a fecunde. E a tome de plantas sadias, viçosas, imperiais. E que leve ao seu marrom escuro milhões de cores sobrepostas, luz e sombra. E que terra e plantas sejam enriquecedoras uma para a outra, como todas as coisas boas devem ser. Por enquanto esta terra está apenas preparada. Cálcio, iodo, fósforo, sais, calor e água. Não quer qualquer semente. E cada dia parece melhor.
estou aqui. vim para cá. sentada e ansiosa olho freneticamente para a porta que só entra esses de azul. por que não vêm logo? lembro que tenho que pegar os livros, mas a cadeira é tão confortável.. talvez tenhamos que ligar, mandar e-mail, enviar sinal de fumaça para que venham. talvez seja isso. mas que droga difícil de fazer.e não é por causa da cadeira confortável.
quinta-feira, fevereiro 06, 2003
ele disse que gosta. eu não acredito. eu pergunto demais. ele se enche, mas responde. reponde que gosta. eu não me dou por vencida. pergunto mais.
ele já não sabe mais o que dizer. não quero que diga, quero provas. ele diz não poder, diz que apenas gosta. pergunto se aceitaria, ele diz "mas claro que sim!". Rá!, duvido...
ele já não sabe mais o que dizer. não quero que diga, quero provas. ele diz não poder, diz que apenas gosta. pergunto se aceitaria, ele diz "mas claro que sim!". Rá!, duvido...
quarta-feira, fevereiro 05, 2003
se a gente parar de olhas as pétalas podres, as caídas no chão, e olhar mais pro botãozinho que parece que vai nascer, a vida da gente, não muda, mudar não muda mesmo, mas fica de uma cor muito mais linda. pelo menos a gente para de reclamar tanto de ter que acordar ou sonha mais um pouco, mais um pouco ainda. a gente fica um pouco menos triste, para nao ficar dando de otimista se dizendo "mais feliz". mas é isso, é luzinha lá longe, vixe!, muito lá longe, às léguas, mas se a gente consegue enxergar em algum lugar, dá pra tentar ir atrás dela. nao pra pegar, quê que eu vou fazer com essa luz?, pra ir atrás mesmo, que ela só sirva de indicação de caminho, sempre, pq chegar mesmo, dizer "pronto! é aqui que eu fico.", nããão... isso eu nao quero. bom mesmo é andar.
domingo, fevereiro 02, 2003
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
valeu a viagem
Agora já não dá mais...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vá no teu pique até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
valeu a viagem
Agora já não dá mais...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vá no teu pique até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
sexta-feira, janeiro 31, 2003
terça-feira, janeiro 28, 2003
segunda-feira, janeiro 27, 2003
domingo, janeiro 26, 2003
Eu não gosto
Eu não gosto de não acreditar em mim. Eu não gosto de dormir quando a luz entra pela fresta de cima da porta. Eu não gosto de panos saindo pela gaveta. Eu não gosto de cortina de pano. Eu não gosto de cor-de-rosa. Eu não gosto quando no quarto não tem abajur. Eu não gosto quando a pessoa me pergunta exatamente o que eu já ia dizer sem que ela perguntasse. Eu não gosto de molhar apenas a barra da calça nas poças de chuva. Eu não gosto de presunto, bacon (nome horrível esse, bacon) e linguiça. Eu não gosto de passar cremes no corpo. Eu não gosto de viagens curtas. Eu não gosto de crianças calmas demais. Eu não gosto quando mexem nas minhas gavetas. Eu não gosto de ouvir a minha voz. Eu não gosto quando muitas pessoas me chamam ao mesmo tempo em dia de calor. Eu não gosto quando a borrachinha do limpador deixa ainda uma lista de agua sem secar. Eu não gosto de livro sem orelha. Eu não gosto de inglês. Nunca gostei, acho que nunca vou gostar. Eu não gosto de apontar com estilete, gosto de brincar de acabar o lápis com o estilete, apontar não. Eu não gosto de saia. Eu não gosto de grito de mulherzinha. Eu não gosto de frases feitas e generalizadoras. Eu não gosto quando o ator deixa perceber que a fala foi decorada. Eu não gosto quando a direção puxa mais para um lado. Eu não gosto de café-com-leite. Mas bebo. Eu não gosto quando, cabendo a palavra tenho, usam comprei. O fato de se gastar o dinheiro com isso vale mais que a coisa possuída? Eu não gosto de passar a minha roupa. Eu não gosto de chinela molhada. Eu não gosto de dormir expondo da cintura aos joelhos. Eu não gosto de varrer estando calçada. Eu não gosto de pensar que o tempo passa. E, decididamente, é melhor falar do que se gosta.
Eu não gosto de não acreditar em mim. Eu não gosto de dormir quando a luz entra pela fresta de cima da porta. Eu não gosto de panos saindo pela gaveta. Eu não gosto de cortina de pano. Eu não gosto de cor-de-rosa. Eu não gosto quando no quarto não tem abajur. Eu não gosto quando a pessoa me pergunta exatamente o que eu já ia dizer sem que ela perguntasse. Eu não gosto de molhar apenas a barra da calça nas poças de chuva. Eu não gosto de presunto, bacon (nome horrível esse, bacon) e linguiça. Eu não gosto de passar cremes no corpo. Eu não gosto de viagens curtas. Eu não gosto de crianças calmas demais. Eu não gosto quando mexem nas minhas gavetas. Eu não gosto de ouvir a minha voz. Eu não gosto quando muitas pessoas me chamam ao mesmo tempo em dia de calor. Eu não gosto quando a borrachinha do limpador deixa ainda uma lista de agua sem secar. Eu não gosto de livro sem orelha. Eu não gosto de inglês. Nunca gostei, acho que nunca vou gostar. Eu não gosto de apontar com estilete, gosto de brincar de acabar o lápis com o estilete, apontar não. Eu não gosto de saia. Eu não gosto de grito de mulherzinha. Eu não gosto de frases feitas e generalizadoras. Eu não gosto quando o ator deixa perceber que a fala foi decorada. Eu não gosto quando a direção puxa mais para um lado. Eu não gosto de café-com-leite. Mas bebo. Eu não gosto quando, cabendo a palavra tenho, usam comprei. O fato de se gastar o dinheiro com isso vale mais que a coisa possuída? Eu não gosto de passar a minha roupa. Eu não gosto de chinela molhada. Eu não gosto de dormir expondo da cintura aos joelhos. Eu não gosto de varrer estando calçada. Eu não gosto de pensar que o tempo passa. E, decididamente, é melhor falar do que se gosta.
sexta-feira, janeiro 24, 2003
Eu não devia ter assistido a esse filme hoje. Talvez daqui a um ano, quando creio já ter resolvido um pouco as coisas, fosse melhor. Hoje me evidenciou o vazio que tenho, a falta que sinto. Por que do outro eu não sentiria tanta falta, já que o que procuro é um Nino. Não há necessidade de encontrar, acho mesmo que nao há ncessidade. Mas se é de ter, quero um Nino. E vou me encontrar. Só sei que Nino ou não, você olhou pra mim hoje. Eu vi. Você olhou.
sexta-feira, janeiro 17, 2003
terça-feira, janeiro 14, 2003
eu nao estou feliz. nunca senti assim. é um caso que fugir do problema resolve. é um caso estranho. é sacrifício demais que sei vai ser por nada. e eu que nao consigo ficar calada estrago todas as fugas. sem saber esperar o melhor momento de ansiosa. assim eu nao gosto. assim eu nao quero. a coisa que bate agora apunhala. pelas costas. silenciosa. e forte. e eu nao sou mais pq estou sempre nao sendo mais alguma coisa. mas nao tem nada. vc também nao é mais a mesma coisa.
sexta-feira, janeiro 03, 2003
caia. nem que a chuva caia. e não diga não. faz assim e faz assim, como nunca fez enfim. dança pra mim. assim. escancaradamente. positive. nenhum motivo nem razão. I love you. time alone. sayin' oh I love you. oh I oh I oh I. Oh I love you. tô cansado de esperar que você me carregue. onde quer que você vá. se na bagunça do teu coração. Don't worry be happy. ha ha ha ha ha ha ha ha. Don't worry. be happy. sem livros e sem fuzil. é de papel crepon e prata.
quinta-feira, janeiro 02, 2003
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
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