hoje é um dia reflexivo: de que as coisas valem?
É possível dessaber?
Uma estrada em linha reta só tem duas direções?
O tempo é uma estrada em linha reta?
As palpitações têm nome?
Prática e teoria realmente se completam?
Onde estão as fadas?
Eu sou a mesma pessoa que vi na foto, com três meses de idade tomando banho de mar nos braços de meu pai?
Onde perdi a doidice?
quarta-feira, dezembro 21, 2005
quarta-feira, dezembro 14, 2005
meu dia 23. dia 23 de dezembro é o único dia 23 do ano que não é do são jorge. esse é somente meu. ele tá chegando de novo, alado, como se perdesse tempo em não vir. pode não vir, dia, pode se esquecer esse ano de chegar, quase junto do trenó do papai noel. aproveite e me explique como é que já faz um ano desde a última visita, estranha, pensa e meio triste. você, que faz parte do mês mais chato do ano podia muito bem me convencer que esse pode ser bom, que o mês é o mais colorido, que as renas existem, que papai noel esse ano vai me desviar um presente. ou, simplesmente, que tá chegando o carnaval, Mirella, deixa eu passar.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
pensar que isso sou eu. e o morto que há em mim. o roto. o decomposto. alguém lá dentro me diz que estou sendo injusto. que há mortos muito mais putrefatos, a cara expelindo ranço e desgosto, que aquele, o Oscar, o Fingall, o O'Flahertie Wills, aquele, o Wilde, quando morreu, tudo estourou dentro dele, que o estômago explode, é o que dizem quando se está na pira, na Índia talvez, e ouve-se uma explosão a muitos passos dali. eu e minha "intensa fisiose", como dizem os médicos, o que você come, hen, um saco de ventos? engoliste, Vittorio, o fole de pele de boi onde Éolo guardava os ventos? palavras é o que guardo no meu fole.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Divinare, o Condão de Adivinhar (ou Das Palpitações)
As descrições dos dramas biológicos me comovem. Como tentar fazer ver uma palpitação, por exemplo. Dar-lhe textura, cor, ritmo, sobrenome, beck-ground e preço. Motivo não, que é uma desnecessidade. A palpitação não tem motivo, ela tem o ofício de existir seja lá o que aconteça - em mim, pelo menos -, porque precede o raciocínio e o entendimento. Confio mais nas palpitações porque o inconsciente está sempre certo. E porque a razão confia no tempo, que é, inegavelmente, um trambiqueiro safado desmerecedor de qualquer crédito. As palpitações, ao contrário da consciência, que elabora um impacial - e quase necessariamente falho - texto explicativo, nos demonstra o mundo por imagens nem sempre visuais, mas ainda imagens. As mais reais que podemos ter.
E me entrego ao torpor das palavras, o mundo ideal onde tudo posso, onde tudo tenho, onde tudo sou, como um amante dedicado que vivesse ao meu dispor.
E me entrego ao torpor das palavras, o mundo ideal onde tudo posso, onde tudo tenho, onde tudo sou, como um amante dedicado que vivesse ao meu dispor.
terça-feira, novembro 29, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
terça-feira, novembro 22, 2005
domingo, novembro 20, 2005
sexta-feira, novembro 18, 2005
Macumunações
- tem mais esse...
- e aí? a gente bota onde?
- é...
- antes do futuro ou depois do futuro?
- depois, né?
- depois do primeiro futuro ou do segundo futuro?
- é... do primeiro.
- Que é isso aí que vocês tão fazendo?
- macumunações.
- e aí? a gente bota onde?
- é...
- antes do futuro ou depois do futuro?
- depois, né?
- depois do primeiro futuro ou do segundo futuro?
- é... do primeiro.
- Que é isso aí que vocês tão fazendo?
- macumunações.
quinta-feira, novembro 17, 2005
quarta-feira, novembro 16, 2005
A menina naquele dia pensava para que serviam os momentos de não fazer nada. E formulava teoremas complicados que sempre deixavam falhas. Pensou também no que diziam os gregos sobre o corpo e a mente, ou um ou outro, pra eles, e era bem verdade, às vezes. Pensando na saudade do ócio que já tinha até aprendido a fazê-lo produtivo. Do ócio e da auto-suficiência. Era uma qualidade nela, a auto-suficiência, ainda que não fosse exatamente real. Saudade de quando andava pela rua escolhendo os ladrilhos amarelos sem saber onde ia chegar. Mesmo que chegar também lhe traga alguns prazeres. Talvez disso não seja nem saudade, seja medo de não saber mais andar sem saber onde vai chegar, e ela quer saber é de tudo. Quer poder é tudo. Não quer ser daquelas pessoas que medem as ações na balança, mas também não quer mais jogar todas fora e ser sempre vã ou filantrópica. Quer manter os prazeres gratuitos, mas não quer não poder pagar pelos caros. Ainda mais porque tem pressa, e nesse ponto, o tempo perdido incomoda demais. Pensando nas facilidades, que devem ser sempre desconfiadas. E na capacidade que ela tinha de refazer o seu mundo inteiro, bastava que precisasse, e em como era egoísta essa sua faculdade. E ainda, em quanto eram repetitivos esses seus pensamentos.
segunda-feira, novembro 14, 2005
sábado, novembro 12, 2005
tem uma vida que se desenha brusca e nova, uma que nunca tive. tenho que definir algumas coisas e sustentar algumas decisões. deixar de ser passional, que a passionalidade é para quando a vida já está ganha. ou para as crianças. tentar ser a capricorniana que nunca fui. porque agora resolvi que eu quero conseguir coisas. e tem lugar no meu barquinho. mas também aprendi a navegar sozinha.
sexta-feira, novembro 11, 2005
estou sedentária o suficiente para ter braços gordos e caídos e ombros magros e ossudos, como se a gordura fosse pendente, sem colágeno mais algum que sustente as carnes e a pele. Envelheço, deve ser isso. Aos vinte e quase quatro não tenho mais a mesma manutenção natural e divina da beleza, nem a artificial, entretanto, por um milhão de motivos que não vêem ao caso. O fato é que posso perceber meu osso do ombro com o tato, cada sulco e protuberância, e sinto como se não houvesse ali o fio de carne nem a membrana de pele que o envolve. O sinto, ou senti, agora, um ombro seco, duro e teso, sujo e decomposto, como se pudesse antever o que lhe acontecerá, dentro em quando for, que isso já não me cabe.
quinta-feira, novembro 10, 2005
outras faces
Hoje eu tive que analisar o Poema de Sete Faces, foi quando atentei, assim, mesmo, para o verso " Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo,/ seria uma rima, não seria uma solução." Talvez eu queira rima para a minha vida.
segunda-feira, novembro 07, 2005
sábado, novembro 05, 2005
quinta-feira, novembro 03, 2005
terça-feira, novembro 01, 2005
Eu tenho que arrumar um gosto. Uma paciência. Uma esperança. Um jeito pra vida. Uma segurança. Uma certeza. Porque na diacha dessa minha cabeça não tem outra coisa senão sonho. E sonho não enche barriga, não leva exatamente - e praticamente - pra longe, nem faz com que a gente se entenda muitas vezes. Não que se entender seja necessidade... deixa pra lá. Ruim que é uma coisa muitas coisas na vida inteira. Ruim não ter paz. O que, na verdade, não é mais que uma utopia essa tal de paz, daquelas que só enganam porque existem nas propagandas de plano de saúde. Eu preciso estar no take da unimed, então. Eu preciso daquela coisa estranha que os jogadores de futebol chamam de raça. Eu tenho algo parecido, mas devo precisar é daquela, igual igual. E se eu fosse hoje uma imagem seria a de um passarinho engaiolado, de um negro acorrentado, de um louco encamisado (e)ou a de uma menina que, provavelmente sempre, anda em círculos.
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