quarta-feira, fevereiro 15, 2006

eu quero mais literatura. eu quero mais literatura.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

mais uma daquela menina

a menina procurava um imagem. uma branca, sabe lá e dá de ombros. porque alguém disse da possibilidade de não existir o estereótipo. e ala ficou assim procurando uma imagem no mundo, menos comprada, mais inventada.e porque o francês lá confundui a cabeça dela, obrigou, e ela foi, entrou na dele. ela, que nem se sabia logicista, teve que concordar com a outra dele: o ser histórico delas guerreavam. com o monstro? com a delicadeza de uma anarquia bem dita.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

e como era ver o fim da história, eu, que no começo, tinha sido projeto, aspiração, espera? Eu, que fui parte dos planos, dos desejos, da equipe, de como foi quando o outro precisava se curar, em que não se fazia o que queria, mas o que precisava ser feito. Do colchão no chão antes de vir a cama, da mesa da cozinha que guardava os pratos, da porta de alumínio que ainda divisava a varanda, dos oito anos e dos cabelos grandes dela. E dele, no chão arrodeado por vinis, sempre bons os daquela época, ele ainda nem usava óculos. Eu era para ele sempre a primeira sílaba de meu nome, eu que tinha sido muito esperada, e que sei as inúmeras histórias que ela, ainda recorda e conta. O convite da formatura ainda estava em branco, porque eu pensava que seria apenas um para os dois, e que só precisaria entregar no dia que fosse embora. Deixava de ser surpresa para se tornar pendência, aquele pedaço de papel fotografado e caro, cheio de custo e de ranso. Penso tudo isso, agora.

e como era isso, do fim das coisas? Vai desapartar para ver como é que fica, foi o que ele disse. E como é que fica? As coisas não andam ficando assim sem rumo, não andam se fazendo sem querência nenhuma. As coisas são feitas. Eu teria lhe dito se tivesse conseguido algum pensamento na hora do comunicado. Eu teria lhe dito que ele tem que saber. que lhe é um dever, saber. Eu teria dito muitas coisas.

e como fica a espera? Eu deveria ter lhes dito muito antes que não há necessidade de razão confirmada, de competição acirrada, de trejeito, de novela. Mas que havia de muito mais sossego, dança, piada, tearo, relevo, flor. Dizer-lhes que eu nem sei se deveria, mas que sei o meu lugar na história, e não é o de determinar, e sim o de acolher indistintamente. E dizer que flor não é a planta - mas acho que aí já é bem mais difícil - que flor é uma coisa que cresce no meio do asfalto, torta e feia, mas que ainda assim é uma flor. É que esse negócio de dizer é mesmo difícil demais.

e para onde vai o amor quando o amor acaba? Isso serve muito para a filosofia. Para onde? Que nem o passo que acabou de ser dado, onde se esconde? E lembro que às vezes consigo prever muitas das coisas, e que isso é prazer e inferno, isso de prever coisas. Nos tornamos subordinados a nós mesmos, sujeitos a uma coisa que é descontrole em nós. E hoje tenho janelas e pontes, arcos e nuvens, água, céu e velocidade, e hoje, é isso tudo mas muito dentro e quieto. O amor não vai para lugar nenhum.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Jakobson mostrou que um idioma se define menos pelo que ele permite dizer, do que por aquilo que ele obriga a dizer. Em nossa língua francesa (e esses são exemplos grosseiros), vejo-me adstrito a colocar-me primeiramente como sujeito, antes de enunciar a ação que, desde então será apenas meu atributo: o que faço não é mais que a conseqüência do que sou; da mesma maneira, sou obrigado a escolher sempre entre o masculino e o feminino, o neutro e o complexo me são proibidos; do mesmo modo, ainda, sou obrigado a marcar minha relação com o outro recorrendo quer ao tu, quer ao vous: o suspense afetivo ou social me é recusado. Assim, por sua própria extrutura, a língua implica uma relação fatal de alienação. Falar, e com maior razão, discorrer, não é comunicar, como se repete com demasiada frequencia, é sujeitar: toda língua é uma reição generalizada.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

memorex

eu ainda preciso pagar o taxista.

domingo, janeiro 29, 2006

Eu, que preciso de uma semana inteira, mal tenho uma péssima quarta-feira.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

- é que toda vez que eu falho numa promessa que eu tenha feito para mim mesma é só para eu me fuder.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

- menina, é o seguinte, faz de conta que é uma piscina, respira fundo, fecha o olho e vai.

aindá dá?

Resoluções de 2006:

- pagar o taxista.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

mirella a partir de hoje é uma pessoa mais zen.
disposta a só coisas que valham a pena.
o negócio é saber quais são essas coisas.

mirella a partir de hoje é uma pessoa que se importa em parecer mais bonita.
e consequentemente menos cansada, com menos dermatites e com peitos de aço.
o negócio é se segurar nas recaidas.

mirella a partir de hoje é uma pessoa que tem um objetivo.
e por mais doloroso, difícil e ruim. e por mais que eu perca por causa disso alguma coisa, eu quero é isso.
e tenho dito e pronto.

terça-feira, janeiro 17, 2006

E segundo o jornal mineiro O Tempo, o planeta terra acabará em 1º de junho de 2014 às 9h15min.


O que pode ser pior?

Temos algumas possibilidades:

1. É verdade e a gente não acredita e ele acaba mesmo.
2. É verdade e a gente acredita e ele acaba mesmo.
3. Não é verdade e a gente acredita e ele não acaba mesmo.
4. Não é verdade e a gente não acredita e fica tudo assim do mesmo jeito.


Façamos as contas: É melhor juntar uma grana e conhecer logo a Turquia. Porque em qualquer das possibilidades tem uma Tsunami se encaminhando para lá.
Descobri uma avenida estranha e bonita na minha cidade. Escolhi dela uma casa, a de número 4339. Abandonada. Vizinha de mais duas desajeitadas. Os ônibus passam voando quase dentro delas. Porque essa avenida é bonita mas é feia também, é grande e estreita para o tamanho que deveria lhe caber, assim, tudo junto, como algumas coisas conseguem ser.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

- Não.

Porque é assim que começam todas as histórias?

- É que...

E continua, sempre, desnegando as coisas.

Busca uma forma, uma composição quem procura vênus no céu e fica em dúvida, quase sempre, entre aquelas duas estrelas que anoitecem antes das outras.

A mesma coisa sobre quem vê em nuvens elefantes, anões, navios. É uma arte essa de dar forma às nuvens. E, ao contrário do que costumam dizer, não passa com o tempo. Muda, mas não passa.

O que passa, estática, é a imagem na meia janela do ônibus que fede a pressa.

Eu pensava essas coisas enquanto voltava para casa. E em muitas outras: eu não consigo acompanhar o fluxo das associações de meus devaneios tolos. Devo ter refletido um pouco mais sobre a minha infãncia e os níveis de poluição entre a nuvem-elefante e a ladainha rachada do sacolejo do coletivo. Mas creio nenhuma delas ter alguma importância agora.

O ônibus é uma cidade confinada.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Bem cansada. Dias meio frenéticos. Tipicamente contemporâneos. Tudo demais. Bem desconfiada de que as pessoas deveriam querer menos coisas. Eu, por exemplo, me contentaria com mais tempo livre útil. Sempre fico assim quando me aproximo das possibilidades. E tenho muito é esperança nas coisas, mesmo que já tenha perdido nas pessoas.

E saia daqui Sr. Banzo, que eu nunca me alegrei com a sua companhia.

domingo, janeiro 08, 2006

E o deles foi de longe léguas ao quadrado pelo avesso e saltitante o mais lindo que acho que irei em toda a minha vida.

sábado, janeiro 07, 2006

Reflexões Capricornianas

Eu não gosto de canelau. Tem canelau de todo jeito, louro(a), preto(a), moreno(a), ruivo(a), rico(a), probre, mazela, chique, careca, cabeludo(a), magro(a), gordo(a), bonito(a), feio(a), estiloso(a), esculhambado(a), em todos os países reais e nos do imaginário (em qualquer imaginário), tem canelau canelau mesmo, com todas as letras bem escritas e bem ditas, e tem aqueles canelaus mais sutis que você só percebe quando observa um pouco mais. Canelau é um bicho assim que nem formiga, ou barata, que é capaz de sobreviver a uma bomba atômica. Tem canelau que é até quieto, mas a maioria é de um espalhafato tipicamente canelau, ainda que este apenas se manifeste nos momentos de mais entrega e arrebatamento, sim, porque canelaus também podem ser tímidos. A canelalidade é, enfim, uma cultura e não uma característica. Alguns até bom gosto têm, algumas vezes, o que não os livra do estigma canelau de ser. E tem também as coisas canelais, mas essas eu vou deixar para uma outra vez.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Da contemporaneidade eu só sei é que ela não tem um pingo de charme.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Porque o primeiro dia do ano também serve para declarações de amor.

Eu tenho uma Luana
Se bem que ela é mais Lua que Luana.
Então, posso concluir que eu tenho uma Lua.
Lua é assim: um ponto luminoso no meio da escuridão.
Mas não um pontinho assim bem pequenininho demais.
Na verdade a Lua é um pontão.
E quando a gente tem um pontão que ilumina o nosso céu inteiro é bem difícil querer muito mais.
A não ser que seja um querer mais a Lua.
2006 começou me testando quase acima do suportável e ultrapassando o limite do possível.

E o bom foi que eu consegui.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Eu só consigo ver importância nos assuntos de amor

Eu quase me convenci, ficou por pouco, bem pouco, diversas vezes, de que o mundo é isso mesmo, mas eu nego, me nego que ele seja, que se for pra ser assim pode até nem ser, e tenho dito e pronto. O mundo que for o meu tem que ser lindo ainda.

preciso não dormir
até se consumar o tempo da gente
preciso conduzir um tempo de te amar
te amando devagar e urgentemente
pretendo descobrir no último momento
um tempo que refaz o que desfez
que recolhe todo o sentimento
e bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer até o amor cair doente.
prefiro então partir
a tempo de poder a gente se desvencilhar da gente

depois de te perder te encontro com certeza
talvez num tempo da delicadeza
onde não diremos nada, nada aconteceu
apenas seguirei como encantado
ao lado teu


e nos de rosas, sóis amarelos, cachorro, criança e bola.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

arrasa o meu projeto de vida, querida. estrela do meu caminho, espinho cravado em minha garganta. a santa às vezes troca meu nome e some. e some nas altas da madrugada. coitada, trabalha de plantonista. artista, é doida pela portela, ói ela, vestida de verde e rosa, a rosa. a rosa garante que é sempre minha. quietinha saiu pra comprar um cigarro. que sorte, voltou toda sorridente. demente, inventa cada carícia. egípcia, me enconta e me vira a cara. odara, gravou meu nome na blusa. me acusa, me acusa, revista os bolsos da calça. a falsa, limpou a minha carteira. maneira, pagou a nossa despesa. beleza. na hora do bom se queixa, me deixa a gueixa. que coisa mais amorosa, a rosa. a rosa, o meu projeto de vida. bandida, cadê minha estrela guia? vadia, me esquece na noite escura, mas jura, me jura que um dia volta pra casa.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Desalento

ele me faz companhia hoje, amarelo, cuicado, indevido, chinfrim, "Corre e diz a ela que eu entrego os pontos", remexendo nas coisas adormecidas.

domingo, dezembro 25, 2005

Quais coisas valem?