quinta-feira, julho 13, 2006
Pus um cravo na lapela. Sou escravo, eu sou, dos olhos dela. Pena verde no chapéu me deu sorte: ela caiu do céu. Tenho agora quem me quer, dou meu cravo pra quem quiser, mas pena verde não abro mão, pois desconfio do seu coração. Não adianta fugir do feitiço, no fundo você é toda sorriso. Agora sim não há mais problema, tenho você e sei que vale a pena.
quarta-feira, julho 12, 2006
quando os tempos são tão ásperos, duros, tesos, quando a vida chama pra parede, pro dó de si, pro e aí cabôca?, pro devoramento, quando a gente pára no meio do cruzamento de cem ruas, eu sempre penso no tapete do Aladdin.
quando o mundo tange, quando a hora range, quando os dias rosnam e mostram os dentes, quando os jardins despencam e as flores todas despetalam, quando caio sem querer na areia movediça sem direito a Münchausen, eu sempre penso no barco de Simbad.
E quando penso em todas as fadas desaladas, príncipes desencantados, nos sapos mal intencionados, nos nomes que arrepiam e ferem, nos reis e rainhas destronados e nas deusas desempedestadas, eu sonho cruzar as osferas.
Ou Greenwich.
quando o mundo tange, quando a hora range, quando os dias rosnam e mostram os dentes, quando os jardins despencam e as flores todas despetalam, quando caio sem querer na areia movediça sem direito a Münchausen, eu sempre penso no barco de Simbad.
E quando penso em todas as fadas desaladas, príncipes desencantados, nos sapos mal intencionados, nos nomes que arrepiam e ferem, nos reis e rainhas destronados e nas deusas desempedestadas, eu sonho cruzar as osferas.
Ou Greenwich.
segunda-feira, julho 10, 2006
terça-feira, julho 04, 2006
é porque a vida é só assim mesmo. essa bobagenzinha, sem grua nem BG. e é você e os monstros, o leão do num sei quê, a zebra não sei de onde, um coelho esbaforido te lembrando sempre do atraso, um revólver que você nem conhece e que pode a qualquer hora te aniquilar. e tudo o que é mais ou menos bonito e leve é ilusório, porque você está só. ninguém quer te ajudar a fazer as coisas assim. e você topa em qualquer degrau de escada e cai de cara. sempre cai de cara, sei porquê não. penso isso enquanto almoço no refeitório. se você já comeu em refeitório de empresa sabe o que estou dizendo. todo mundo agindo feito uma massa de bolo solado. contido, oprimido, conduzido, como se fosse consequência de um fracasso que a gente não sabe bem que horas nem como aconteceu. e eu cheia de vontade, de peito pulsante, de imaginação querendo irromper pela mesa abrir a porta de vidro e sair passaré afora, praquela verdania imensa, o oásis na cidade, mas não, comi a beterraba insosa caladinha. cabeça latejando, desfilo entre as mesas até o caixa, porque restaurante pra batalhão é assim, você que vá andando pagar a sua conta. e eu pensava: eu tenho uma proposta, eu tenho uma proposta. saí da aula pensando que eu tinha a tal proposta que o nosso tempo recusa assumir. eu não tenho muito o que perder, eu posso propor. pois como aquelas pessoas não desconfiavam que aquela menina sem graça que se arrastava entre as mesas cheias de bandeijões tinha uma proposta? ri com essa idéia porque no máximo o que elas podiam ver em mim era uma nostalgia portuguesa do que não senti, que já passou e provavelmente nunca existiu. uma baixinha concentrada com cara de desgosto que não entende porque um ser humano se submete a comer em bandeijas.
segunda-feira, julho 03, 2006
Quando o estudo ameaça a plenitude.
O Pós-modernismo se distingue disso, não em suas contradições humanistas mas no caráter provisório de sua reação a elas: ele se recusa a propor qualquer estrutura, qualquer narrativa-mestra - tal como a arte ou o mito. Ele se caracteriza exatamente por uma incredulidade em relação a essas narrativas: aqueles que se queixam da "perda do sentido" no mundo ou na arte estão realmente lamentando o fato de que o conhecimento já não é esse tipo de conhecimento basicamente narrativo. Isso não quer dizer que, de alguma forma, o conhecimento desaparece.
Ou seja, não é simples.
O Pós-modernismo se distingue disso, não em suas contradições humanistas mas no caráter provisório de sua reação a elas: ele se recusa a propor qualquer estrutura, qualquer narrativa-mestra - tal como a arte ou o mito. Ele se caracteriza exatamente por uma incredulidade em relação a essas narrativas: aqueles que se queixam da "perda do sentido" no mundo ou na arte estão realmente lamentando o fato de que o conhecimento já não é esse tipo de conhecimento basicamente narrativo. Isso não quer dizer que, de alguma forma, o conhecimento desaparece.
Ou seja, não é simples.
quarta-feira, junho 28, 2006
simples
é simples ser feliz. é simples tudo dar certo. é simples enxergar o que realmente importa. é simples se desprender da propaganda, dos heroicismos e das ideologias opressoras, quaisquer que sejam elas: status, beleza, sucesso, virtude, sensualidade, inteligência, riqueza, e todos aqueles blá blá blás que fazem você se enquadrar e procurar por determinadas coisas incessantemente, mesmo que não seja exatamente as que te fariam mais feliz. é simples o presente. é tão, mas tão simples, isso, que a gente não quer ver, que a gente se assusta. é simples. não sei mais o que dizer. é simples. é simples demais a vida. é só começar a dizer não e passar a andar numa certa contra-mão.
e quero é que essa contemporaneidade ridícula, cheia de abandono, de violência travestida de alegria, de desejo de excesso, vá pra bem longe de mim. eu vou viver num tempo só meu.
e quero é que essa contemporaneidade ridícula, cheia de abandono, de violência travestida de alegria, de desejo de excesso, vá pra bem longe de mim. eu vou viver num tempo só meu.
sábado, junho 24, 2006
leviana. era leviana a palavra que eu queria te dizer naquele dia. a gente não pode ficar lidando com as coisas de forma tão leviana, como se a mudança de idéia não tivesse consequências. alguma coisa tem que ser amor, alguma coisa tem que ser eterna, alguma coisa tem que ser extremamente importante, como se nos fosse um pedaço. mesmo que esse tempo que se julga e se quer efêmero impeça isso de nós.
terça-feira, junho 20, 2006
sábado, junho 17, 2006
sexta-feira, junho 16, 2006
quarta-feira, junho 14, 2006
Filosofia Barata
por Xuxa Meneghel
"Tudo pode ser, só basta acreditar. Tudo o que tiver de ser, será"
"Tudo pode ser, só basta acreditar. Tudo o que tiver de ser, será"
domingo, junho 11, 2006
Das sensações que eu acho que conheço bem
Minha vida passando na sua vista e você nem pisca, lacrimeja e se irrita.
O trânsito contorna a nossa cama, reclama do nosso eterno espreguiçar.
Deus é um cara gozador, adora brincadeira, pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro.
E se vai continuar enrustido, com essa cara de marido, a moça é capaz de se aborrecer.
não existe coisa mais triste que ter paz, que arrepender, que se conformar e se proteger de um amor a mais.
O trânsito contorna a nossa cama, reclama do nosso eterno espreguiçar.
Deus é um cara gozador, adora brincadeira, pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro.
E se vai continuar enrustido, com essa cara de marido, a moça é capaz de se aborrecer.
não existe coisa mais triste que ter paz, que arrepender, que se conformar e se proteger de um amor a mais.
quarta-feira, junho 07, 2006
Minha vida vai ter:
flor
música
amor
poesia
sol
alegria
vinho
sorriso
banho de mar
pôr-de-sol
dança, muita dança
curvas
felicidade
verdade
vontade
abraço
cachorro
criança
bola
jogo
adivinhação
chamego
passamento de nariz no outro
aperto de mão
esculhambação
brincadeira
teatro
vitrola
melodia
besteira
imã de geladeira
livros
livros
e livros
e bicicleta
castelos de areia
castelos de verdade
príncipes
sapos
fadas
sereias
magos
estrelas e
planetas
palmitos
tambores
cavernas
descobrimentos
encontros
movimento
sonho
leveza
borboletas
delicadeza
vento
gentileza
mistério
imaginação
solidez
piruetas
admiração
palhaços
malabarismos
e bichos todos soltos
pipoca
cinema
anões de jardim
e arco-íris que vão dar de presente pra mim.
e eu vou tirar isso de letra, nem que eu tenha que inventar outra gramática.
música
amor
poesia
sol
alegria
vinho
sorriso
banho de mar
pôr-de-sol
dança, muita dança
curvas
felicidade
verdade
vontade
abraço
cachorro
criança
bola
jogo
adivinhação
chamego
passamento de nariz no outro
aperto de mão
esculhambação
brincadeira
teatro
vitrola
melodia
besteira
imã de geladeira
livros
livros
e livros
e bicicleta
castelos de areia
castelos de verdade
príncipes
sapos
fadas
sereias
magos
estrelas e
planetas
palmitos
tambores
cavernas
descobrimentos
encontros
movimento
sonho
leveza
borboletas
delicadeza
vento
gentileza
mistério
imaginação
solidez
piruetas
admiração
palhaços
malabarismos
e bichos todos soltos
pipoca
cinema
anões de jardim
e arco-íris que vão dar de presente pra mim.
e eu vou tirar isso de letra, nem que eu tenha que inventar outra gramática.
terça-feira, junho 06, 2006
sexta-feira, junho 02, 2006
quinta-feira, junho 01, 2006
ainda a ilha.
porque há muito mais no que não se diz e os sonhos são entidades que moram dentro de nós.
nos meus habitam cavalos, crianças, tiros e telefones públicos.
e hoje acordei com vontade de pintar os olhos.
com tinta guache.
ainda a mão oprimindo o peito.
será que é pra sempre? será que é isso mesmo? o que será isso?
eu queria só saber onde é o meu lugar.
meus olhos mais bonitos voltados para dentro.
transformado em olhar palhaço, brinca em um picadeiro escondido, talvez aquela ilha.
no meu jogo levo para a lua cavalos, crianças, tiros, telefones públicos e tinta guache.
e ainda faz todo sentido.
porque há muito mais no que não se diz e os sonhos são entidades que moram dentro de nós.
nos meus habitam cavalos, crianças, tiros e telefones públicos.
e hoje acordei com vontade de pintar os olhos.
com tinta guache.
ainda a mão oprimindo o peito.
será que é pra sempre? será que é isso mesmo? o que será isso?
eu queria só saber onde é o meu lugar.
meus olhos mais bonitos voltados para dentro.
transformado em olhar palhaço, brinca em um picadeiro escondido, talvez aquela ilha.
no meu jogo levo para a lua cavalos, crianças, tiros, telefones públicos e tinta guache.
e ainda faz todo sentido.
terça-feira, maio 30, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
Azul Invisível
é na pele onde se guarda qualquer memória.
tem uma ilha no meu país. um dia fui lá. e eu andei às três e meia da manhã do centro de sua cidade à beira-mar. recebi saudações felizes e convites para dançar. e a luz era meia, naquela noite, e eu andava só, e nesse lugar podia.
nessa ilha o tempo é outro. acho que ainda é. e eu passava a mão no que sobrou de um dia que o chão teve muita zanga e quis queimar tudo, como se tentasse entender o centro do planeta. era diferente a água, a necessidade, o futuro e toda a alegria era outra.
e às vezes quando volto lá, chove no meu olho e penso em um jeito de poder ficar. ela é a minha terra do nunca.
tem uma ilha no meu país. um dia fui lá. e eu andei às três e meia da manhã do centro de sua cidade à beira-mar. recebi saudações felizes e convites para dançar. e a luz era meia, naquela noite, e eu andava só, e nesse lugar podia.
nessa ilha o tempo é outro. acho que ainda é. e eu passava a mão no que sobrou de um dia que o chão teve muita zanga e quis queimar tudo, como se tentasse entender o centro do planeta. era diferente a água, a necessidade, o futuro e toda a alegria era outra.
e às vezes quando volto lá, chove no meu olho e penso em um jeito de poder ficar. ela é a minha terra do nunca.
quarta-feira, maio 24, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
todo dia chove um pouco em meu peito. não chovia ali quando eu era criança, lembro bem disso. eu não duvidava, eu não escondia, eu nem temia, nem vertigem, nem ânsia, nem desejo de sonho. é pouco, mas esse pouco que chove todo dia acontece em mim que nem na minha cidade: é o bastante para ser muita coisa. me desabriga, me impossibilita, me bagunça, e não passa mais ninguém.
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