existe uma hora que o ser humano percebe que na verdade as possibilidades não são tantas assim. nessa hora ele tem duas opções: comodismo ou invenção.
algumas sensações são impagáveis. uma delas é samba, 21 anos e luz negra.
eu tenho o universo dentro da minha cabeça.
tenho me tornado uma pessoa destemida. destemida e anárquica. quase uma criança: o mundo todo meu.
assim, são poucas as fivelas, as areias movediças, os chicletes no sapato e as vontades de ficar. a barriga tem um liquidificador que canta jorge ben.
e sou uma pessoa adepta das latinidades, dos destilados e do dia, do dia e do dia. uma pessoa que tem vontade de correr com metade das pernas nas primeiras ondas em uma maré cheia com a cadela. uma pessoa urgente de juventude e felicidade.
tem quem não saiba, mas a minha fruteira ainda tem visão privilegiada.
é assim
com ela:
cada porta
uma janela.
segunda-feira, setembro 18, 2006
quarta-feira, setembro 13, 2006
Mientras olvido
Se te perdesse agora, iria me sentir no sótão de uma casa. Minhas caixas todas são de pertences antigos, de uma vida que não existe mais. Eu me sentaria em uma cadeira de balanço e esperaria. E o dia inteiro seria daquela hora do entardecer quando a luz já rareia, quando os contornos se apresentam mofados e as plantas já cheiram um pouco seco.
Não haveria mais movimento. A vida, agora, para dentro, obrigaria a conhecer a nova coisa que havia me tornado, os novos percursos que passaria a fazer sobre a terra e a encarar um espelho furioso. Fecharia as cortinas e só então perceberia o cheiro boloso da naftalina.
Se passasse pela porta e não desse com a vista mais nenhuma vez para trás eu lhe passaria a chave. Tornaria o olho para as mãos ressequidas, correria com a unha ao dente. Aposentaria o vestido plissado, as contas do colar que esperam conserto na caixinha de prata descascada.
Abriria lentamente a tampa da vitrola, escolheria o melhor Gardel, deixaria o agudo ferir sem piedade meu peito já tão vermelho. E a aflição embalsamada tomaria teu lugar na casa.
Não haveria mais movimento. A vida, agora, para dentro, obrigaria a conhecer a nova coisa que havia me tornado, os novos percursos que passaria a fazer sobre a terra e a encarar um espelho furioso. Fecharia as cortinas e só então perceberia o cheiro boloso da naftalina.
Se passasse pela porta e não desse com a vista mais nenhuma vez para trás eu lhe passaria a chave. Tornaria o olho para as mãos ressequidas, correria com a unha ao dente. Aposentaria o vestido plissado, as contas do colar que esperam conserto na caixinha de prata descascada.
Abriria lentamente a tampa da vitrola, escolheria o melhor Gardel, deixaria o agudo ferir sem piedade meu peito já tão vermelho. E a aflição embalsamada tomaria teu lugar na casa.
sábado, setembro 09, 2006
ok.ok. eu ia me fazer de besta, mas vou compactuar com gabriel e jordana. minhas seis características:
- eu não deixo a peteca cair.
- eu quase nunca sei.
- eu sonho demais.
- eu tenho medo de amar demais.
- eu choro, apesar de ninguém saber.
- e eu já aprendi. é um dia de cada vez.
e passo pra frente com: zé, lua, paulinha, diana, caio e suyá.
- eu não deixo a peteca cair.
- eu quase nunca sei.
- eu sonho demais.
- eu tenho medo de amar demais.
- eu choro, apesar de ninguém saber.
- e eu já aprendi. é um dia de cada vez.
e passo pra frente com: zé, lua, paulinha, diana, caio e suyá.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Há uma casinha, em algum lugar, e uma plaquinha escrito: Mirella.
Um jardim embaixo da janela, verde, novo, nove-horas, cidreira, alecrim. Paredes brancas, louça desigual, cama no chão, colchão alto. Caneca de água de porcelana. Janelas de madeira, persianas, igual da casa de praia. Sem tapetes, esteiras, só. O tempo nas paredes, as coisas, os amores, os quereres, os afazeres, não, estes na geladeira, nela mais fácil lembrar devido a estranha mania de contemplá-la.
Terá que ter vento nessa casa, espalhando tudo, porque casa bonita tem que ter espalho de coisas pelo meio, onde a gente anda achando coisas, olha só aquele bilhete daquele dia, eu tinha que ter ido ao oculista, que foto linda essa, com o canto marcado pelo pé da cadeira, onde a gente anda assim, tendo surpresas.
Também não pode - nunca - faltar um cão, cadela, melhor, pronto, resolvido, cadela. Não existirá casa sem cadela. E a casa vai ser dela mesmo, tanto quanto minha, toda, qualquer espaço sem restriçoes. Dói ver bichinho lutando contra a vontade. Quer subir, meu amor, suba, amo mais você, incomparavelmente. Além do mais, para quê serve uma cama?
Vou precisar de estantes, hoje poucas, mas até lá, certeza de serem muitas. Vou pedir a da vizinha que vai mudar. Tá lá, encostada no corredor, custa nada, se ela disser não, vai dar no mesmo, o não eu já tenho. Se ela disser sim, eu a levo para o sítio, e ela fica lá, esperando por mim, o que também dá no mesmo, visto que ela espera a vizinha a bastante tempo encostada lá no corredor.
Na minha casa, mais madeira. mesa, cadeira, pilão, gaveta. tudo madeira cor de madeira.
Música o dia inteiro, no silêncio, só ela, preenchendo meus passos descalços. Minha televisão só passará os filmes perdidos no cinema - ou nem apresentados, que a localidade é atrasada, uma província difícil -, ou em caso de algum desses frequentes percursos inversos que fazemos para tentar entender o que aconteceu no mundo antes de a gente chegar.
E, um eu estatelado na cama, sem entender o que as pessoas fazem tanto lá fora.
Um jardim embaixo da janela, verde, novo, nove-horas, cidreira, alecrim. Paredes brancas, louça desigual, cama no chão, colchão alto. Caneca de água de porcelana. Janelas de madeira, persianas, igual da casa de praia. Sem tapetes, esteiras, só. O tempo nas paredes, as coisas, os amores, os quereres, os afazeres, não, estes na geladeira, nela mais fácil lembrar devido a estranha mania de contemplá-la.
Terá que ter vento nessa casa, espalhando tudo, porque casa bonita tem que ter espalho de coisas pelo meio, onde a gente anda achando coisas, olha só aquele bilhete daquele dia, eu tinha que ter ido ao oculista, que foto linda essa, com o canto marcado pelo pé da cadeira, onde a gente anda assim, tendo surpresas.
Também não pode - nunca - faltar um cão, cadela, melhor, pronto, resolvido, cadela. Não existirá casa sem cadela. E a casa vai ser dela mesmo, tanto quanto minha, toda, qualquer espaço sem restriçoes. Dói ver bichinho lutando contra a vontade. Quer subir, meu amor, suba, amo mais você, incomparavelmente. Além do mais, para quê serve uma cama?
Vou precisar de estantes, hoje poucas, mas até lá, certeza de serem muitas. Vou pedir a da vizinha que vai mudar. Tá lá, encostada no corredor, custa nada, se ela disser não, vai dar no mesmo, o não eu já tenho. Se ela disser sim, eu a levo para o sítio, e ela fica lá, esperando por mim, o que também dá no mesmo, visto que ela espera a vizinha a bastante tempo encostada lá no corredor.
Na minha casa, mais madeira. mesa, cadeira, pilão, gaveta. tudo madeira cor de madeira.
Música o dia inteiro, no silêncio, só ela, preenchendo meus passos descalços. Minha televisão só passará os filmes perdidos no cinema - ou nem apresentados, que a localidade é atrasada, uma província difícil -, ou em caso de algum desses frequentes percursos inversos que fazemos para tentar entender o que aconteceu no mundo antes de a gente chegar.
E, um eu estatelado na cama, sem entender o que as pessoas fazem tanto lá fora.
segunda-feira, setembro 04, 2006
trem bão
Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar
joão é o nome do meu sonho, vou chamar ele assim por sugestão da vanessa. ele tem três anos saturninos de idade. e não quero merecer outro lugar que o que eu irei.
Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar
joão é o nome do meu sonho, vou chamar ele assim por sugestão da vanessa. ele tem três anos saturninos de idade. e não quero merecer outro lugar que o que eu irei.
Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão
sábado, setembro 02, 2006
.daqui prali
vá com calma, menina, se é que posso te dar algum conselho, sei nem se você me lê. um dia, depois outro, quando passar mais este, um outro, diferente. experimenta algum freio, trem de alegria, azul, marinho. esse mundo tende a adoecer a nossa alma, mas a gente tem obrigação de tentar resistir. e quando apertar, pense na cor da paz. não aguento ver tanta dor assim em lugar nenhum. e um segredo: ser alegre vale sempre mais a pena. nada é mais eficiente nessa vida.
terça-feira, agosto 29, 2006
prerrogativas
a coincidência salva.
é possível viver um dia de cada vez.
família é nunca abandonar. mesma coisa que amor.
a gente vê tudo, mas tem motivos para continuar.
é possível viver um dia de cada vez.
família é nunca abandonar. mesma coisa que amor.
a gente vê tudo, mas tem motivos para continuar.
domingo, agosto 27, 2006
a esperança é uma luz azul. ela acende às vezes por coisa nenhuma. porque quer. não sei. porque ela acende sem dizer nada a ninguém. ela chega no tempo de um instante pro outro quando a gente não pode nem perceber. e entra e enche e esbarrota. e quanto mais a gente fica sem caber dela, menos peso a gente leva. mesmo que dure um instantinho assim de nada.
- só quero se for tudo de novo a partir de agora.
- oi, fulano, muito prazer.
- só quero se for tudo de novo a partir de agora.
- oi, fulano, muito prazer.
sexta-feira, agosto 25, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
quarta-feira, agosto 16, 2006
segunda-feira, agosto 07, 2006
quarta-feira, julho 26, 2006
Hoje o dia amanheceu bonito que só.
Um passarinho entrou pela minha janela e ficou olhando pro lado de fora.
Talvez tenha achado um ninho ali, no meu quarto.
Piou. Piou. Virou pra mim e olhou pra fora. Me senti convidada.
Levantei. Fui ver o que tinha naquela janela.
Nada de mais. Só um belo dia amanhecido.
Segundos depois ele voou.
Um passarinho entrou pela minha janela e ficou olhando pro lado de fora.
Talvez tenha achado um ninho ali, no meu quarto.
Piou. Piou. Virou pra mim e olhou pra fora. Me senti convidada.
Levantei. Fui ver o que tinha naquela janela.
Nada de mais. Só um belo dia amanhecido.
Segundos depois ele voou.
terça-feira, julho 25, 2006
domingo, julho 23, 2006
dei-me conta que todos foram embora. que me perdi numa teia emaranhada. que meus pés estão mais rosados mas precisam de cuidados, continuamente, para que possa mantê-los assim. percebo alguns livros que nunca li, os que nem ao menos vi, os que jamais conhecerei. e penso nos buracos negros puxando as galáxias e toda dor que há nestas esferas perdidas no espaço. sempre penso no espaço. é porque gosto da imensidão. de pensar em algo que não cabe no pensamento, que não tem um número final, que não tenha medida. gosto de um ser assim independente de cercamentos e todo-poderoso. mas onde estava mesmo? no embora. é, estão todos indo, mesmo que nem tenham a ida nos sonhos. até mesmo estes se vão. eu não, eu me perdi com pés e livros na teia emaranhada. e talvez o universo não seja tão grande assim, já que consigo formar uma idéia de infinito. ou então o pensamento engana.
quinta-feira, julho 20, 2006
Paisagem
Deus fez cada coisinha no mundo bem bonitinha. A borboleta, a flor, a montanha, o desfiladeiro, os passarinhos, a imensidão do céu azul, um mar lindo de perder de vista, fez gente, fez movimento, fez e fez tudo tudinho. E é só isso que reservo aos meus olhos todos os dias, o dia quase inteiro: uma quina. Algum pós-moderno aí falou de profusão de imagens?
terça-feira, julho 18, 2006
rapidinhas
o almoço com ele sempre me rende algumas risadas e a revitalização dos meus sonhos. mesmo quando vem expresso amargo em vez de capuccino.
há muito tempo gato de Cheshire me avisou:
"O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?"
"Isso depende muito de para onde você quer ir", respondeu o Gato.
"Não me importo muito para onde...", retrucou Mirella.
"Então não importa o caminho que você escolha", disse o Gato.
"... contanto que dê em algum lugar", Mirella completou.
"Oh, você pode ter certeza que vai chegar", disse o Gato, "se você caminhar bastante."
porque será que eu nunca decido?
próximas prioridades: pôr meus documentos em dia.
há muito tempo gato de Cheshire me avisou:
"O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?"
"Isso depende muito de para onde você quer ir", respondeu o Gato.
"Não me importo muito para onde...", retrucou Mirella.
"Então não importa o caminho que você escolha", disse o Gato.
"... contanto que dê em algum lugar", Mirella completou.
"Oh, você pode ter certeza que vai chegar", disse o Gato, "se você caminhar bastante."
porque será que eu nunca decido?
próximas prioridades: pôr meus documentos em dia.
segunda-feira, julho 17, 2006
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
O amor é uma pequena guerra que você trava consigo, com o outro e com os outros. Viver é violento.
Estou me tornando uma velhinha ranzinza e radical. Conviver com a hilda tem me feito assim.
de tanto andar em alguns lugares tenho conhecido e abusado certas posturas. e feito estranhas relações. prestando atenção falcão disserta sobre elas: "Fica díficil um estudo, uma tese, uma analise à luz da ciência: O homem inteligente dá ou dá por que é inteligente?"
Estou me tornando uma velhinha ranzinza e radical. Conviver com a hilda tem me feito assim.
de tanto andar em alguns lugares tenho conhecido e abusado certas posturas. e feito estranhas relações. prestando atenção falcão disserta sobre elas: "Fica díficil um estudo, uma tese, uma analise à luz da ciência: O homem inteligente dá ou dá por que é inteligente?"
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