quarta-feira, janeiro 05, 2011

para 2011

Viver, simplesmente, sem mistificação.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Naturezas como a sua, possuidoras de sentidos fortes e delicados, os anímicos, os sonhadores, os poetas, os amantes, são diferentes de nós, homens do espírito, e nos são quase sempre superiores. Vossa origem é materna. Viveis na plenitude e a vós foi dada a força do amor e da vivência. Quanto a nós outros, seres espirituais, embora pareçamos estar frequentemente vos dirigindo e vos governando, não vivemos na plenitude e sim na aridez; a vós pertence a fartura da vida, a vós o suco das frutas, a vós o jardim do amor, o belo país das artes. Vossa pátria é a terra; a nossa, a idéia. Vosso perigo está em vos afogardes no mundo dos sentidos; o nosso, em sufocarmos no vácuo. Você é artista; eu, pensador. Você dorme no regaço materno; eu acordo no deserto.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Goldmund, sem vacilar, deu sua palavra de honra. Havia uma honra do Convento e uma honra entre os colegas e muitas vezes as duas entravam em conflito; ele sabia disso, mas como em todo lugar as leis não escritas são mais fortes do que as escritas, ele, como aluno, jamais se subtrairia às leis e conceitos de honra dos colegas.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Frase brega autoajuda do dia: sem saber que era impossível, ele foi lá e fez.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Belo Horizonte tem um tipo de céu especial, nublado cinza escuro com luz refletida apenas nos prédios. Não sei como se dá esse fenômeno. Parece algo tão inexplicável quanto os LPs.

domingo, novembro 21, 2010

e meu delírio é a experiência com coisas reais.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Comigo me desavim,
sou posto todo em perigo:
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.

sexta-feira, novembro 05, 2010

não tem problema, eu sei começar de novo quantas vezes forem necessárias.

sexta-feira, outubro 22, 2010

sem ponto de cesura

Recebi uma ligação distante que me fez chorar depois. Era uma voz feliz, morena, com a vida como uma seta para o céu. Tem gente que consegue deixar grande tudo o que toca. Que tem agulha de ouro para costurar a vida. Eu, que só tenho uma almofadinha de alfinetes, acompanho a linha dela, tentando entender de que natureza é feita. Essa voz morena é assim.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Frequentemente, em seus versos, Seixas falava de estrelas, flores e brisas, de que tirava imagens para exprimir a graça da mulher e as emoções do amor. Pura imitação: como em geral os poetas da civilização, ele não recebia da realidade essas impressões, e sim de variada leitura. Originais somente, são aqueles engenhos que se infundem na natureza, musa inexaurível porque é divna. Para isso, ou nascer nas idades primitivas, ou desprezar a sociedade e refugiar-se na solidão.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Talvez eu tenha o dom do estrangeiro, da máscara, da tangente, do equívoco, do outro. Das coisas que passam e arranham, mas que dão margem a que eu escape e volte à terra natal, ao meu próprio rosto, à inserção, à remissão, a mim. Talvez seja isso o mistério - ir sem ir, aprofundar-se em algo que não lhe cabe - o desejo de desvendar o desconhecido para depois voltar.

terça-feira, outubro 05, 2010

meu filho,

da vida só há uma coisa certa a dizer: ela não vai te dar nenhum desconto. um dia você vai achar que pode abrir um campo possível, um lugar de conforto, um remanso, um pedaço de paz. você vai julgar ter domínio do mecanismo do sonho e da felicidade pelo menos em um lugar sequer, mas logo vai perceber que está enganado. não há lugar nenhum. a vida é uma almofada de alfinetes. o único possível paira inalcançável em nossa própria mente. um dia eu vou te dizer que pode ser em mim o seu repouso, que minha morada te cabe como uma luva, mas não acredite nem em mim, neste ponto somos todos incapazes, estamos todos enganados. o ser humano é uma ilha, alguém já disse isso por aí, não é nenhuma novidade. o próprio do humano é a capacidade de escapar do outro. eu escapo em mim mesma. se você tiver a mesma sorte que eu, talvez tenha alguma esperança.

domingo, outubro 03, 2010

Alguns dias acordo com saudades de você. Sabíamos como ninguém que toda compreensão de algo ou alguém é ficção, é desejo e falseio, e isso de certa forma nos fazia bem porque falávamos, falávamos, falávamos até cair a lua, cair o sol e cair a lua novamente. Alguns dias tenho saudades dessa dinâmica nossa, concentrada no presente, interessada em tudo que parece não despertar interesse algum nos que passavam a nossa frente desenvolvendo suas vidas numa espécie de progressão. Lembro que encontrávamos especial conforto naqueles que preparavam salas de teatro, que organizavam o saneamento da cidade, que vendiam pipoca doce em frente ao cinema apenas para espantar o marasmo e a solidão de ficar em casa numa sexta a noite. Pensávamos que eram vidas possíveis e reais e isso nos rendia mais alguma ficção. Tem dias que acordo com saudades de você e é uma espécie de prazer manter essas lembranças like a dragonfly.

sábado, outubro 02, 2010

Então achou que descobriu. O valor então era a nitidez. Teria que engolir isso goela abaixo porque antes era ainda pior, ninguém via nada, e quando passaram a ver pela primeira vez, todos estranharam, quase os saídos da caverna. Hoje todo mundo já se acostumou a ver, é isso que importa, entendia agora, o valor era mesmo a nitidez, e como o tempo passaria mesmo, a não ser que houvesse de sua parte um grandioso esforço de rejeição, iria também se acostumar.

Depois que pensou isso e em mais umas duas ou três coisas se lembrou do chá. Tinha impaciência para a conversa do chá, porque ali iriam lhe explicar mais umas duas ou três coisas como o que é existir, a moda em Paris ou a última série que está bombando na tv full hd, e essas coisas se já não sabia era porque não queria mesmo saber.

Para essas horas havia um estratagema. Ligava a rádio da cabeça, rodava o filme que passava em seu cinema íntimo, repassava algumas citações que não cansava nunca de lembrar. O problema do mundo é a falta de imaginação, tinha vontade de dizer, mas estava sempre bem na melhor parte da música, na melhor cena, naquela hora que não dá pra largar o livro, e depois acabava esquecendo.

quinta-feira, setembro 30, 2010

...há uma faca me atravessando a garganta; ainda respiro, mas a dor me impede de dizer qualquer coisa.
Existe alguma coisa no amor altruísta e pronto ao sacrifíco de um animal que vai diretamente ao coração daquele que teve ocasiões frequentes de testar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade dos homens.

quarta-feira, setembro 15, 2010

sem parar, beiramar

Viva o som, velocidade
Forte, praia, minha cidade
Só o meu grito nega aos quatro ventos
A verdade que eu não quero ver

E eu fugindo de você
Outra vez me desculpando
- É a vida, é a vida
Simplesmente e nada mais

terça-feira, setembro 14, 2010

Las tristezas son como los gallos / canta una y enseguida las otras se inspiran

sábado, setembro 11, 2010

responda com sim ou não

1. Se ser um idiota dá muito mais trabalho, por que as pessoas insistem em ser idiotas?




Este será o outubro mais esperado de minha vida.

quinta-feira, setembro 09, 2010

microconto anti-ficcional

- Socorro! - Gritou.

E não era substantivo próprio.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Queria ser Frida. Em vez de pintar espinhos, escreveria exílios. Então já não seria Frida. Seria silêncio branco, dente-de-leão no vento da tarde morna, talvez uma onda em alto mar.

Mas quando chegasse na arrebentação, iria para Lisboa, sentaria em uma calçada do Chiado, que tenho lá um coração. Depois que me abrisse a porta, seu sorriso franco me diria que só lhe faltava eu. E olharíamos as estrelas que dançam no alto do Tejo, abriríamos uma roda de samba em frente ao Brasiliana, tomaríamos chachaça e nos iria doer as saudades do nordeste. Eu lhe trazia um disco, de volta me guardava um livro, pequeno mas feito por suas mãos.

Ao final, ficaríamos bem. Comparíamos os óculos da moda, sairíamos à rua a cobrir tudo, quase selvagens. Aos poucos, com a memória exilada de tanto presente, teríamos nomes novos, nomes verdes e vermelhos. E como sobraria panos, brios, pedras! Nossa pele se tornaria negra e luminosa, teríamos poucos anos novamente e o futuro se faria longo num golpe de mágica.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Belo Horizonte, 23 de agosto de 2010

Papai Noel,

Este ano fui boa menina. A começar pelo exercício do pensamento oriental, mongismo, doidismo e aplicação à vida de todos os ditados populares e praticamente de todo o Adagiário Brasileiro, de Leonardo Mota.

Considero que depois de tudo isso venho me tornado mais trouxa e mais frouxa, mas tem me feito muito bem. Canções populares têm sido muito bem-vindas, e destas, a número um das paradas de sucesso da minha rádio-mente vem na voz da dupla Caetano Veloso e Riachão: "Chô-Chuá, cada macaco no seu galho/ Chô-Chuá, eu não me canso se falar/ Chô-Chuá, o meu galho é na Bahia/ Chô-Chuá, o seu é em outro lugar".

Outra coisa que fiz muito bem feita esse ano foi não tentar mais muito. Pra isso eu lembrei de um ditado: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E não é que fura mesmo? Depois que fura a gente fica livre, sem ter mais que ser duro. Tem gente que acha que é a água. Eu era a pedra. E tô furada, além de trouxa e frouxa. Quem quiser vir encher o saco vai passar pelo buraco e ter com outro, que eu me aposentei. E sempre tem aqueles, né? Sempre tem. Pois estes elejam outra pedra, que eu agora sou a Jericoacoara. Passar bem.

Se eu fosse você ficava orgulhoso. Não bato mais boca, não quebro mais copo, não dou mais a cara a tapa, nem acredito que gentileza gera gentileza. Gentileza gera trabalho. Veja você! Todo ano tentando ser legal, ajudar as pessoas, disseminando sonhos, e o que ganha? Trabalho. As pessoas em vez de economizar e assumir seus desejos, pedem as coisas a você. Ou seja, quando se é gentil, passa a assumir os problemas alheios. E o pior, uma vez que você faz isso, em caráter de favor, os outros entendem que na verdade é esse o seu dever. E aí, tente, bichinho, dizer que não vai fazer mais? Ôxe! Vai dar uma peleja. Mas ora, com quem estou falando isso? Você deve saber melhor que eu.

Sei que ainda estamos em agosto, mas escrevo apenas para lhe dizer essas coisas. Que este ano você não precisa se preocupar comigo. Tenho tudo, o que não tenho não preciso, e o que sobra são apenas chateações que tenho eliminado aos poucos, sendo assim desse meu novo jeito meio égua. Se eu fosse você, fazia feito eu, deixava todo mundo pra lá e tirava umas férias. Tenho um uma casa numa praia bem bonita lá no Ceará, se quiser pode ir pra lá. Isso de ficar tomando conta da vida dos outros é fria. Mais fria que esse polo norte, aí.

Beijos e Abraços,
Mirella.

sexta-feira, agosto 20, 2010

llevo el pelo en el viento
y dos ojos encendiados.