terceiro dia
Par le First Rendez-Vous
1) Nunca perder o entusiasmo infantil e coisas boas acontecerão.
2) Se, mesmo lamentavelmente for hora de separar, cada um pega uma ponta da linha e na outra guarda o coração do outro.
3) Amor também é cuidar de si.
4) Cuidar de si às vezes é deixar partir.
5) Deixar partir pode ser manter ainda olhos e mãos bem por perto.
6) Amor é disposição.
Nada me move nem me faz parar a não ser a vontade de te encontrar.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
domingo, fevereiro 24, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
das aprendizagens do tempo das aprendizagens
Primeiro Dia
Uma Didática da Invenção.
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca.
b) 0 modo como as violetas preparam o dia para morrer.
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos.
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação.
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois
lagartos.
f) Como pegar na voz de um peixe.
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.
Uma Didática da Invenção.
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca.
b) 0 modo como as violetas preparam o dia para morrer.
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos.
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação.
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois
lagartos.
f) Como pegar na voz de um peixe.
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
eu nasci pra brincadeira
nasci pra bater tambor, sei que morro mas não deixo meu colega, meu valor.
e ainda acho, alessandra,
que tu tem razão: quem não sabe o tombo não anda na proa.
nasci pra bater tambor, sei que morro mas não deixo meu colega, meu valor.
e ainda acho, alessandra,
que tu tem razão: quem não sabe o tombo não anda na proa.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
sábado, fevereiro 09, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
o ano novo chinês, as cinzas brasileira
e a moça do tempo anuncia poeticamente: o sol não vai sair nesta quarta-feira.
terça-feira, janeiro 29, 2008
domingo, janeiro 13, 2008
eu quero é todo mundo nesse carnaval.
a lua me chama
a luz vai correndo, dizendo que eu a gastei toda, lembrando que tenho coisas a fazer de dia ainda e eu funcionando a 30% da potência normal. e o pior, feliz que só.
do tremelique dela
dessa vez vou. e a gente vai fazer um par. já tá tudo ensaiado.
e há quem diga
que eu morri de medo quando o pau quebrou.
a luz vai correndo, dizendo que eu a gastei toda, lembrando que tenho coisas a fazer de dia ainda e eu funcionando a 30% da potência normal. e o pior, feliz que só.
do tremelique dela
dessa vez vou. e a gente vai fazer um par. já tá tudo ensaiado.
e há quem diga
que eu morri de medo quando o pau quebrou.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Nada mais encantador que as labaredas de uma fogueira.
Eu feita de amanhecer, asa, um breve canto e destorpor.
Nada mais hipnotizante que o silvo de uma serpente.
Tu, teu poder, tua chama, meu material condutor.
Da data que se avizinha, como a fera já cantada
Só me restam mudos duetos com mulher já morta
Enviada, envolvida em seus próprios tecidos de palavras
Para guardar, porque quero, o calor castrado de nossas cinturas.
E porque de ti só quero os meus versos.
Eu feita de amanhecer, asa, um breve canto e destorpor.
Nada mais hipnotizante que o silvo de uma serpente.
Tu, teu poder, tua chama, meu material condutor.
Da data que se avizinha, como a fera já cantada
Só me restam mudos duetos com mulher já morta
Enviada, envolvida em seus próprios tecidos de palavras
Para guardar, porque quero, o calor castrado de nossas cinturas.
E porque de ti só quero os meus versos.
Das loas
ô céu azul, esse teu canto negro e misterioso de liberdade, será que vou levar?
"o mar se deitou na areia
ouvindo a canção nagô
é a mãe da terra inteira
chamando os filhos de toda cor
me leva, meu bem, me leva
pra dentro da noite azul
me leva, meu bem,
me leva pro maracatu."
"o mar se deitou na areia
ouvindo a canção nagô
é a mãe da terra inteira
chamando os filhos de toda cor
me leva, meu bem, me leva
pra dentro da noite azul
me leva, meu bem,
me leva pro maracatu."
quarta-feira, janeiro 02, 2008
partiu, partindo
a hora é de partir.
chego em todos os lugares partindo.
sorrio partindo.
cumprimento despedindo.
entro já saindo, contando
nos dedos o tempo
que corre fugindo.
e esses dias
um céu teu tão
azul, fortaleza
que se não fosse
a vontade que
anda ardendo, fazendo
da alma represa
eu pensaria em
despedir mais um pouco
ainda, ir indo ficando
só pro olho gostar
de te levar, mais detido
menos urgente
e mais veloz.
chego em todos os lugares partindo.
sorrio partindo.
cumprimento despedindo.
entro já saindo, contando
nos dedos o tempo
que corre fugindo.
e esses dias
um céu teu tão
azul, fortaleza
que se não fosse
a vontade que
anda ardendo, fazendo
da alma represa
eu pensaria em
despedir mais um pouco
ainda, ir indo ficando
só pro olho gostar
de te levar, mais detido
menos urgente
e mais veloz.
segunda-feira, dezembro 24, 2007

antes de ir embora vou fazer uma ode ao mar.
vou pisar na areia e fechar os olhos às cinco e meia da tarde.
vou sentar e prestar bem atenção no cheiro salgado.
pensar que ele é inocente e arredio, respirar profundeza, que a tensão é superfície e a vida quase nunca é lago.
vou escrever meu poema mais bonito e deixá-lo nômade numa garrafa com rolha. mas é para iemanjá.
será um verso branco, perfumado como jasmim, rendado labirinto de palavras. veloz, como ele disse um dia.
antes de ir embora vou dançar uma ciranda com a multidão imaginária.
todos que me já seguraram a mão festejarão a minha ciranda. porque vai ser primavera, verão, noite inteira, e bate no tom cardíaco de meu compasso.
é que tenho vários compassos.
antes de ir embora vou fazer uma ode à lua.
vou montar em um cavalo na hora gatuna, lança em punho, firmeza, esperança e certeza para toda encruzilhada.
vou abrir o peito para as chagas, vou cantar uma suave melodia e vou voar.
será uma canção azul, como o mundo visto do espaço, e será também negra, mestiça, burlesca, porque quem tem muito do mundo quer todos os pigmentos, etnias e instrumentos.
então será inevitavelmente uma canção de amor escarlate em tom maior.
e já não haverá mais dragões a perseguir, guerras a vencer, inimigos a que se proteger.
cantarei o destino alado de minha montaria com quase displicência desmedida. corajosa.
é que tenho vários caminhos.
antes de ir embora vou fazer uma ode ao sol.
vou chegar de madrugada e debruçar-me acácia na janela, esperando amante você chegar.
de minha janela vai nascer o dia, e dos olhos do sol em mim, mais uma primavera.
será como se fôssemos cingidos por um imenso hálito amoroso, roda de fogo fazendo música em volta das nossas cinturas.
verão nessa estação rodas como as de ezequiel, coisa semelhante a carvão ardente, parecida a tocha, que ia e vinha errante entre os seres viventes.
uma nuvem que vai do azul ao amarelo laranja e vermelho em instantes, como também seu próprio inverso.
resultará espiralado movimento, arrebatamento íntimo e sede estrangeira.
e terra fecunda, algo de dentro se move e irrompe reverência.
é que tenho aquela dança.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
quinta-feira, dezembro 20, 2007
quarta-feira, dezembro 19, 2007
domingo, dezembro 16, 2007
eu vou acender uma vela pra ti, dona hilda, uma vela vermelha, rubra, meu amor, porque tu carece de chama acesa sempre, que eu sei.
Que gosto esse do Tempo
De estancar o jorro de umas vidas.
**
Cegos, não somos dois
Apenas pretendemos
Devorados e vastos
Temos um nome: EFÊMERO
**
E consumida de linhas
Enovelada de ardência
Te aguardo às portas de minha cidade.
**
E afinal
Cara a cara (espelho e faca)
De nossas duplas fomes
Não diremos.
**
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
**
Graça e alívio
De te alcançar.
**
Vigio
Esta sonoridade dos avessos.
Que se desfaça o fascínio do poema
Que eu seja Esquecimento
E emudeça.
**
Do estar ali e largar-se
Da tua vida.
**
Que pretensões de um sentir
Tão excedente, tão novo
São questões para o divino
E ao mesmo tempo um estorvo
Pra quem nasceu pequenino.
Tu e eu. Humanos. Limite mínimo.
Que gosto esse do Tempo
De estancar o jorro de umas vidas.
**
Cegos, não somos dois
Apenas pretendemos
Devorados e vastos
Temos um nome: EFÊMERO
**
E consumida de linhas
Enovelada de ardência
Te aguardo às portas de minha cidade.
**
E afinal
Cara a cara (espelho e faca)
De nossas duplas fomes
Não diremos.
**
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
**
Graça e alívio
De te alcançar.
**
Vigio
Esta sonoridade dos avessos.
Que se desfaça o fascínio do poema
Que eu seja Esquecimento
E emudeça.
**
Do estar ali e largar-se
Da tua vida.
**
Que pretensões de um sentir
Tão excedente, tão novo
São questões para o divino
E ao mesmo tempo um estorvo
Pra quem nasceu pequenino.
Tu e eu. Humanos. Limite mínimo.
sábado, dezembro 15, 2007
Déjà Loin
duro imaginar você, turbilhão, em fevereiro, sorrindo os olhos pela cruz dos pequenos campos, ou pela santo honório, ou ainda pela do dia, de mão em triângulos, de memória olvidada. saber que o círculo de fogo em voltas, audível como o descrito antes, que meu claro déjà-jamais vu, foi invenção podada. mas haverá sempre uma janela, acho eu, e existem os movimentos terrestres e lunares, as reviravoltas das marés, os sóis se pondo as auroras resplandecendo e todo o mistério do mundo, e o deus da música não abandona. é sempre da vida o que ele quiser.
como sempre diz um bom amigo meu: a vida é um pandeiro.
como sempre diz um bom amigo meu: a vida é um pandeiro.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
nem um pio
o problema é o silencio
é ter um abismo, um muro
escuro de silêncio que faz
invisível - o que se quer mostrar
mudo de impossibilidade
e saber que se só riso fosse
seria toda a costa, hoje
vermelha de querer.
é ter um abismo, um muro
escuro de silêncio que faz
invisível - o que se quer mostrar
mudo de impossibilidade
e saber que se só riso fosse
seria toda a costa, hoje
vermelha de querer.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
dui generis
Deixe seu endereço
Deixe, que eu mando levar
Mando um carrinho de linha, morena
Agulha pra costurar
Vê se costura pra mim
Uma camisa de linho
Bote meu nome no bolso
E capriche fazendo o colarinho
Só vou usar no domingo
Porque senão perde a graça
Vamos tirar um retrato, morena
No lambe-lambe da praça
Deixe, que eu mando levar
Mando um carrinho de linha, morena
Agulha pra costurar
Vê se costura pra mim
Uma camisa de linho
Bote meu nome no bolso
E capriche fazendo o colarinho
Só vou usar no domingo
Porque senão perde a graça
Vamos tirar um retrato, morena
No lambe-lambe da praça
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