- Para efeitos de Marquês de Pombal eu me chamo Roberto Jorge.
- Um nome bonito, Senhorita.
- Muito bonito.
***
A gente já pôs na agenda até um show do Franz.
***
Tem coisas que deixam a gente meio assim assim sem entender. Destino, sorte, vontade, e todas essas coisas que fogem ao nosso controle, têm esse poder. Sei bem porque não. É só uma intuição.
***
Eu queria a certeza de que daqui a 20 anos ainda riríamos com a mesma leveza.
quarta-feira, maio 28, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
Daquele ano pra cá - e já vai fazer um ano - as coisas mudaram. A comemoração deixou de ser algo apenas bom e passou a assumir condição ritualística. Graça e prece. O fogão virou brinquedo e o fogo um amigo dedicado. Os pratos quase teóricos da verdade: justos, bons e belos, em igual medida de intenção e resultado. Lindos e ligeiros como uma francesa nas ruas de Paris. E tem-se ampliado a largos passos as técnicas de fotografar os alimentos do dia. Última parte antes do encerramento do rito.
Os pesos vêm sem culpa, chegam e se instalam, como sultões em orgias gastronômicas; vêm por prazer e felicidade, embora seja negociada sua permanência nos dias futuros. Em breve serão apresentados a uma avenida sinuosa e arborizada, e espera-se que gostem mais de lá que da casa nova.
Neste ano há também casa nova. E ela tem 3 quartos com armários, sendo uma suíte com varanda, banho social, duas salas, cozinha com armários, área de serviço e dependência completa de empregada - que vai virar gabinete de estudos com banheiro, porque o nome parece muito ingrato. Nesta casa morarão três pessoas que irão se aprender e ficar amigas. E isso se sabe como já se sabia a casa antes mesmo da possibilidade dela. E será um absurdo de filmes, música e livros bons.
Este ano inaugurou um coração cansado e comedido, mas cheio de esperança e boa vontade. Um coração apaixonado por literatura e liberdade, mais feliz que o que lembrava ter sido alguma outra vez. Reluzente e vitorioso, pronto para quase tudo, e já sabendo - e tem isso como uma enorme vantagem - que coração é inauguração sempre. Acontece de ser, no máximo início e meio. Coração nunca (se) encerra.
E este ano talvez de tudo o que há para se aprender, se aprenda do silêncio o que há de necessário. Talvez ainda se contemple, se peça, se tente, se mude, se assuste, se mova, se disbarate, se aflija, se ame, se morra, se justifique. Talvez a graça se perca nas montanhas ou se mude no verão. Talvez Penélope termine a colcha antes que Ulisses retorne, e já cansada, monte ela mesma a cavalo e reescreva uma nova história surpreendente. Talvez os que existem e não têm consciência continuem assim, mas os que têm apenas consciência passem a existir plenamente e joguem xadrez não mais consigo mesmos, fritem ovo e escutem uma balada no chuveiro para desanuviar um dia tenso. Talvez o medo se dissipe como o suor de um rosto exposto ao ventilador.
Os pesos vêm sem culpa, chegam e se instalam, como sultões em orgias gastronômicas; vêm por prazer e felicidade, embora seja negociada sua permanência nos dias futuros. Em breve serão apresentados a uma avenida sinuosa e arborizada, e espera-se que gostem mais de lá que da casa nova.
Neste ano há também casa nova. E ela tem 3 quartos com armários, sendo uma suíte com varanda, banho social, duas salas, cozinha com armários, área de serviço e dependência completa de empregada - que vai virar gabinete de estudos com banheiro, porque o nome parece muito ingrato. Nesta casa morarão três pessoas que irão se aprender e ficar amigas. E isso se sabe como já se sabia a casa antes mesmo da possibilidade dela. E será um absurdo de filmes, música e livros bons.
Este ano inaugurou um coração cansado e comedido, mas cheio de esperança e boa vontade. Um coração apaixonado por literatura e liberdade, mais feliz que o que lembrava ter sido alguma outra vez. Reluzente e vitorioso, pronto para quase tudo, e já sabendo - e tem isso como uma enorme vantagem - que coração é inauguração sempre. Acontece de ser, no máximo início e meio. Coração nunca (se) encerra.
E este ano talvez de tudo o que há para se aprender, se aprenda do silêncio o que há de necessário. Talvez ainda se contemple, se peça, se tente, se mude, se assuste, se mova, se disbarate, se aflija, se ame, se morra, se justifique. Talvez a graça se perca nas montanhas ou se mude no verão. Talvez Penélope termine a colcha antes que Ulisses retorne, e já cansada, monte ela mesma a cavalo e reescreva uma nova história surpreendente. Talvez os que existem e não têm consciência continuem assim, mas os que têm apenas consciência passem a existir plenamente e joguem xadrez não mais consigo mesmos, fritem ovo e escutem uma balada no chuveiro para desanuviar um dia tenso. Talvez o medo se dissipe como o suor de um rosto exposto ao ventilador.
segunda-feira, maio 26, 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
fragmento heraclitiano
a única forma de repouso é a mudança.
adendo
a liberdade é mesmo um passarinho. por mais clichê que possa soar.
conlusão
ele tem razão, vivemos pouquíssimo tempo para cumprir tantos anos em busca de liberdade. mas dói deixar isso de lado.
de alguma forma a idéia da noite incerta é extremamente reconfortante.
a liberdade talvez toque o vazio, a ausência de valor, de compromisso. talvez seja comadre da autonomia, da autosuficiência, do poder e jogue no time da razão e da inteligência.
dito desta forma, ser livre implica ser também um tanto egoísta e cruel, e acredito que seja assim mesmo.
tu não faz como um passarinho que fez o ninho e abandonou.
adendo
a liberdade é mesmo um passarinho. por mais clichê que possa soar.
conlusão
ele tem razão, vivemos pouquíssimo tempo para cumprir tantos anos em busca de liberdade. mas dói deixar isso de lado.
de alguma forma a idéia da noite incerta é extremamente reconfortante.
a liberdade talvez toque o vazio, a ausência de valor, de compromisso. talvez seja comadre da autonomia, da autosuficiência, do poder e jogue no time da razão e da inteligência.
dito desta forma, ser livre implica ser também um tanto egoísta e cruel, e acredito que seja assim mesmo.
tu não faz como um passarinho que fez o ninho e abandonou.
sexta-feira, maio 16, 2008
sábado, maio 10, 2008
das piadas internas, o gênio (ou, é claro que a besteira é a base da sabedoria):
Eu vivia triste, encrisiado
Moribundo, empanzinado
Cheio de peitica, era um cara lascado
Vivia destiorado
Mas não era pra menos, eu só comia
Folha de pau, raiz e vagem
Mel de abelha e gergelim
Arroz integral
Bife de soja, pepaconha
Chá de boldo e própolis
Mas eu mudei minha alimentação
Graças ao Mané Bofão
E passei a comer seguindo a sua orientação
Panelada, buchada
Sarrabulho, tripa de porco
Fuçura, lingüiça, rabada miúdo
Bife, passarinha, mocotó, carne de lata
Chouriço, tutano, sarapatel
Mão de vaca
Hoje eu estou mudado
Bonito, lindo e joiado
Alegre, gordo e corado
Pareço um artista.
Moribundo, empanzinado
Cheio de peitica, era um cara lascado
Vivia destiorado
Mas não era pra menos, eu só comia
Folha de pau, raiz e vagem
Mel de abelha e gergelim
Arroz integral
Bife de soja, pepaconha
Chá de boldo e própolis
Mas eu mudei minha alimentação
Graças ao Mané Bofão
E passei a comer seguindo a sua orientação
Panelada, buchada
Sarrabulho, tripa de porco
Fuçura, lingüiça, rabada miúdo
Bife, passarinha, mocotó, carne de lata
Chouriço, tutano, sarapatel
Mão de vaca
Hoje eu estou mudado
Bonito, lindo e joiado
Alegre, gordo e corado
Pareço um artista.
segunda-feira, maio 05, 2008
sábado, maio 03, 2008
e o que fazer quando as mãos ficam mudas? não sei, tem alguma idéia? não. na verdade, sim, mas as mãos estão mudas. escuta, você deveria se acalmar. descansa as mãos aqui no meu colo, sente meu pulso, ele vibra. e quando ela pousa a mão, ele sente a aspereza e o frio que ela tentava definir como mudez, surdez, paralisia. o que houve com você? não sei, eu tentava diálogos imaginários onde ninguém falasse, eu tentava falas sem que houvesse ninguém para dizê-las, eu pensava nas palavras por si mesmas, soltas no mundo, proferidas, e pessoas que existiam demais para dizer, que fossem sempre palavras de menos. eu tentava uma luva branca e fina, uma película sobre as mãos, de um perfume licoroso e às vezes exalava algo de amêndoas. eu passava as mãos nos cabelos lisos dela e podia sentir os olhos grandes amarelados pelo macio do cabelo, pelo fluxo contínuo de meus dedos em cera quentes, grudados nas gostas fartas; mas hoje é como se as palmas avistassem asas de concreto, bronze, metal denso e vazio, mas tão bonito quanto ela, mesmo sem o movimento dos olhos em mim quando me sentia em seus cabelos. e ele não gostava quando ela falava em tons de mel, porque era feito agulhas vazando gota a gota seu pulso firme, e forte. pulso de atleta, você tem, de remador, com todo esse azul fazendo rios, mapas de rios, gostaria de navegar por eles. então venha. e não precisa dizer mais nada.
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
domingo, abril 27, 2008
É que eles, naquela época deles, tinham uma potência nas mãos. Eram as palavras. Eles as tinham, todos, em euforia. Eram como gigantes com as palavras. E as coisas ditas e não ditas, delas eram feitas poesias.
Hoje eles parecem saber ainda mais o que fazer com as mãos. Como se agora fosse ato, velado e sapioso, dentro deles, e fora, quando a euforia - que já nem mais era exatamente - entrava em ebulição, seguiam-se rios, jorros de significados, potentes solicitações só percebidas por olhos já acostumados a estas abundâncias e com mãos já sabidas de transformar em palavras aquilo que poderia ter sido simplesmente dito, sem nenhuma beleza.
E aqueles dois talvez sigam ainda confundindo gêneros, mas aprendendo a separar algo que antes não existia. E creio eu, assim de fora, quase onisciente, que serão protagonistas ainda da mesma história que quiseram tecer, caso eles dois ainda se compreendam.
Hoje eles parecem saber ainda mais o que fazer com as mãos. Como se agora fosse ato, velado e sapioso, dentro deles, e fora, quando a euforia - que já nem mais era exatamente - entrava em ebulição, seguiam-se rios, jorros de significados, potentes solicitações só percebidas por olhos já acostumados a estas abundâncias e com mãos já sabidas de transformar em palavras aquilo que poderia ter sido simplesmente dito, sem nenhuma beleza.
E aqueles dois talvez sigam ainda confundindo gêneros, mas aprendendo a separar algo que antes não existia. E creio eu, assim de fora, quase onisciente, que serão protagonistas ainda da mesma história que quiseram tecer, caso eles dois ainda se compreendam.
sexta-feira, abril 25, 2008
quarta-feira, abril 23, 2008
é que a gente já fez um pacto.
antes eu achava que ele vinha comigo
fosse quando fosse
meu aniversário ou no dele.
eu achava que eu era uma e ele outro
e andávamos cruzando espadas juntos, no mesmo time.
hoje eu acho que ele sou eu.
e ninguém acreditava quando ele dizia
que tinha uma amiga que brincava,
que cantava e que até voava.
um dia ela voou pra todo mundo ver.
fosse quando fosse
meu aniversário ou no dele.
eu achava que eu era uma e ele outro
e andávamos cruzando espadas juntos, no mesmo time.
hoje eu acho que ele sou eu.
e ninguém acreditava quando ele dizia
que tinha uma amiga que brincava,
que cantava e que até voava.
um dia ela voou pra todo mundo ver.
quarta-feira, abril 16, 2008
quarta-feira, abril 09, 2008
terça-feira, abril 08, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
sábado, março 29, 2008
- confusão
- do Lat. confusione
- s. f.,
- acção ou efeito de confundir;
- acção ou efeito de confundir;
- estado do que se acha confundido, misturado, indistinto;
- estado do que se acha confundido, misturado, indistinto;
- falta de ordem ou método;
- falta de ordem ou método;
- incapacidade de discernir e de reconhecer diferenças;
- incapacidade de discernir e de reconhecer diferenças;
- desordem;
- desordem;
- miscelânea;
- miscelânea;
- embaraço, enleio, perturbação;
- embaraço, enleio, perturbação;
- vergonha, pejo;
- vergonha, pejo;
- tumulto;
- tumulto;
- revolta;
- revolta;
- perplexidade;
- perplexidade;
- falta de clareza.
- Med.,
- - mental: estado psicopatológico caracterizado por alteração da clareza de consciência com perturbação da atenção, percepção, do curso do pensar, baixa de eficiência mental, má orientação no tempo e no espaço.
segunda-feira, março 24, 2008
quarta-feira, março 19, 2008
quarta-feira, março 12, 2008
hoje o céu estava mais cinza que em todos os outros dias. tinha o mesmo verde nas janelas ligeiras, os mesmos vagares, mas hoje, o corpo estava mais condoído de si mesmo, o pensamento - sem que isso configure uma espécie de oposição - longe, martelando batucadas estranhas, preso a três ou quatro frases que levavam a três ou quatro anos atrás e durante, a três ou quatro horas de fita cassete que diziam três ou quatro incertezas sobre alguns poucos anos que viriam e que eu não podia ver com tanta clareza tais fatos. tem horas, e isso eu já sabia, que a vida chama sem complacência, aliás, nem chama, avisa, e de pouco adianta a sabedoria primária de ver as coisas ainda como belas. existem dias negros, os verdes são propostas. mas existem as certezas, também, e algumas podem ser verdes.
a linha do tempo às vezes é uma linha dura.
a linha do tempo às vezes é uma linha dura.
domingo, março 09, 2008
sétimo dia
o mundo imaginado está justamente colocado antes do mundo representado, o universo está colocado exatamente antes do objeto. O conhecimento poético do mundo precede, como convém, o conhecimento racional dos objetos. O mundo é belo antes de ser verdadeiro. O mundo é admirado antes de ser verificado.
o mundo imaginado está justamente colocado antes do mundo representado, o universo está colocado exatamente antes do objeto. O conhecimento poético do mundo precede, como convém, o conhecimento racional dos objetos. O mundo é belo antes de ser verdadeiro. O mundo é admirado antes de ser verificado.
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