sexta-feira, junho 18, 2010

e tão cedo amanheceu
que ninguém mais saberia
se era eu que te deixava
ou você quem me perdia

no quadrado da janela
onde a linha principia
a saudade é uma vela
e a tristeza tão macia

e na praia tão deserta
a saudade não cabia
você não diria nada
então eu nada diria

ficaria combinado
um acordo se faria
sem rumor e sem palavra
sem dor, sem melancolia

você escolheria um lado
se virava, então seguia
eu no caminho contrário
procurava a luz do dia

eis que a tarde se encantava
como em feitiçaria
e você não me deixava
e nem eu me perderia.

no quadrado da janela
onde a linha principia
a saudade é uma vela
e a tristeza tão macia

e tão cedo amanhecia
e ninguém mais saberia
se era eu que te deixava
ou você quem me perdia.

quinta-feira, junho 17, 2010

Y esto es un cuchillo,
un cuchillito
que apenas cabe en la mano;
pez sin escamas ni río,
para que un día señalado, entre las dos y las tres,
con este cuchillo
se queden dos hombres duros
con los labios amarillos.

Y apenas cabe en la mano,
pero penetras frío
por las carnes asombradas
y allí se para, en el sitio
donde tiembla enmarañada
la oscura raíz del grito.

sábado, junho 12, 2010

Eram duas meninas, como uma aprendi a inveja e com a outra o egoísmo. Porque minha vida enrolou na delas é algo ainda desconheço, mas assim não são as histórias e é provável que jamais venha a saber.

sábado, maio 15, 2010

Por que de volta, Hermelinda? Onde estavas? Pergunto e já de verdade não me importa. Onde estavas não me responda, apenas porque volta. Não há mais de três cadeiras, vês que não te cabes. E se trazes tanto frio, Hermelinda, é que quando chegas a ausência se faz presente como se pessoa fosse. Peço que voltes em silêncio, a mim não diga nada. Vens como se ainda não chegasse. Não ouço passos, círculos. Não ouço a bossinha de que gostavas. Os anos se passaram Hermelinda, vejo em tuas mãos. Andas agora pé ante pé, como se houvesse apenas uma linha no chão para todos os caminhos. Que te aconteceu? Ainda amas, Hermelinda? Então porque franzes a boca? E porque não dizes nada? Porque não te vais já que não te reconheço? Mas se acaso ficares, vê se te fazes presença leve e não me tomes o assento.

quinta-feira, maio 06, 2010

anda teu andar sem pressa
chega, a boa hora é essa
entra, puxa essa cadeira
tem a tarde inteira

quase que eu perdi o medo
deixa de guardar segredo
deita, espera amanhecer
sabe como deve ser


traz de volta a claridade
arde um sopro de saudade
senta, deixa de bobeira
a vida é tão ligeira


a promessa que eu fiz foi diferente
pois na volta parece que é mais perto
não há jeito melhor que jeito certo
quem quer sombra melhor jogar semente
quando for dar um passo, olhe pra frente

saiba bem do caminho na largada
e não vá se perder com tanta estrada
não se pode esquecer do objetivo
não há laço maior que o afetivo
nem amparo melhor que a madrugada

sexta-feira, abril 23, 2010

Algumas observações.

Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O QUE É A VERDADE?"


São Jorge








Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge. Filho de pais cristãos, Jorge aprendeu desde a sua infância a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.

Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade - qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.

Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O QUE É A VERDADE ?". Jorge respondeu: "A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da verdade."

Como São Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: "Não, imperador ! Eu sou servo de um Deus vivo ! Somente a Ele eu temerei e adorarei". E Deus, verdadeiramente, honrou a fé de seu servo Jorge, de modo que muitas pessoas passaram a crer e confiar em Jesus por intermédio da pregação daquele jovem soldado romano. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.

A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente. Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.

Lenda
um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e se atirava contra os muros da cidade trazendo-lhe a morte com seu mortífero hálito. Para ter afastado tamanho flagelo, as populações do lugar lhe ofereciam jovens vítimas, pegas por sorteio. um dia coube a filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era São Jorge.

O valente Guerreiro desembainhou a espada e, em pouco tempo reduziu o terrível dragão num manso cordeirinho, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Datas Marcantes No século XII, a arte, literatura e religiosa popular representam São Jorge, como soldado das cruzadas com manto e armadura com cruz vermelha, nobre um cavalo branco, com lança em punho, vencendo um dragão. São Jorge é o cavaleiro da cruz que derrota o dragão do mal, da dominação e exclusão.

Oração a São Jorge III
Ó Deus onipotente,
Que nos protegeis
Pelos méritos e as bênçãos
De São Jorge.
Fazei que este grande mártir,
Com sua couraça,
Sua espada,
E seu escudo,
Que representam a fé,
A esperança,
E a inteligência,
Ilumine os nossos caminhos...
Fortaleça o nosso ânimo...
Nas lutas da vida.
Dê firmeza
À nossa vontade,
Contra as tramas do maligno,
Para que,
Vencendo na terra,
Como São Jorge venceu,
Possamos triunfar no céu
Convosco,
E participar
Das eternas alegrias.
Amém!


***


Indignadas, enviaram um monstro horrendo
Para devastar o litoral em caos tremendo...
E nada apaziguava as divindades
Até que Cefeu, o rei, pediu ao oráculo a verdade.


Perseu








Mítico herói grego, já conhecido em Homero e Esíodo, filho de Zeus e de Dânae, assim que nasceu, segundo a lenda, Perseu foi jogado ao mar dentro de uma caixa, junto com a mãe, pelo avô Acrísio, rei de Argo, a quem um oráculo havia previsto que seria morto pelas mãos do próprio neto.

A caixa, levada pelos ventos, aportou na ilha de Sérifo, onde Dânae foi feita escrava e Perseu foi levado pelo tirano Polidette. Quando adulto Perseu, Polidette, para oferecer um digno presente nupcial a Ippodamia, com que desejava casar-se, organizou um banquete ritualístico no qual só se podia participar montado em um cavalo.

Perseu, que não possuía um cavalo, prometeu a Polidette que teria em mãos a cabeça decepada da Medusa, uma das três Górgonas, cujo corpo era comumente representado como um corpo de cavalo. A contenda era dificil, mas em auxílio de Perseu vieram Hermes e Atenas que convenceram as Náiades a doar ao herói um par de sandálias aladas, um elmo que lhe deixava invisível e uma bolsa de pele mágica (kibisis) para colocar a testa da Górgona. Assim equipado, Perseu alçou vôo e chegou ao jardim das Hespérides e auxiliado pela deusa Gaia penetrou na gruta onde as Górgonas dormiam.

Para matar a Medusa, única das três Górgonas que era mortal, era preciso evitar olhar para o seu rosto, que tinha o poder de petrificar quem o olhava. Perseu então, segundo uma versão do Mito, decapitou a Medusa olhando atrás do seu rosto; segundo outra versão, desferiu o golpe olhando a Górgona refletida em um escudo reluzente que Atenas havia lhe dado. Do pescoço cortado da Górgona saíram então o Herói Crisaor e o cavalo alado Pégaso, que se encontravam no seu colo. Perseu depôs na bolsa mágica a cabeça da Górgona, montou seu cavalo Pégaso e voando com ele conseguiu evitar que as outras duas Górgonas, neste meio tempo já acordadas, lhe seguissem.

Em sua fuga aérea Perseu atingiu o país dos Etíopes onde encontrou Andrômeda, amarrada a uma rocha e exposta a um monstro marinho para aplacar a cólera de Posêidon. Perseu então se aproximou do monstro e o matou petrificando-o com a cabeça da Górgona e assim libertou Andrômeda, levando-a consigo a Sérifo, onde ainda acontecia o banquete organizado por Polidette. Mostrando a cabeça da Medusa, Perseu petrificou também Polidette, liberou a mãe da escravidão e com Dânae e Andrômeda tornou a Argo. A lenda ainda conta que depois Perseu, ainda na tentativa de reconciliar-se com o avô, o mata involuntariamente, golpeando-o com um disco lançado no curso de uma competição e assim se cumpriu a profecia do Oráculo.


Cassiopéia, estonteante rainha
Vaidosa pela beleza que tinha
Comparou-se superior as ninfas formosas
Que com ela ficaram furiosas.

Indignadas, enviaram um monstro horrendo
Para devastar o litoral em caos tremendo...
E nada apaziguava as divindades
Até que Cefeu, o rei, pediu ao oráculo a verdade.

Para terminar o terrestre sofrimento
Ele enviou sua filha, com lamento
Para ser devorada pela fera sem piedade
E assim , perdeu Andrômeda sua liberdade.

Perseu, herói que vinha de inúmeras batalhas
Apaixonou-se pela jovem amarrada à muralha
E pedindo a seu pai a mão da donzela amada
Preparou-se para enfrentar a fera desalmada.

Tirando de seu manto troféu de sua última vitória
Ergue a cabeça da Medusa, arrancada por ele, como conta a história
Transformando a besta em pedra, pela eternidade
Libertando assim, a cativa de tão vil maldade.

Casaram-se e felizes foram até o dia
Em que Andrômeda elevou-se aos céus como constelação
Brilhando para sempre, provando que o amor
Supera todo obstáculo, tirania e dor.

Cassiopéia teve final merecido
Pois embora também fosse transformada em estrelas
Castigada foi pelas ninfas, não esquecidas de seu feito
Ao negar-lhes a beleza, como era seu direito.

Pediram as moças que sua inimiga
Fosse colocada, no céu, perto do pólo
Assim, toda noite, como forma de humilhação
Cassiopéia abaixa a cabeça, e suas estrelas pouco brilharão.


***

Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra".

Ogum








Ogum (em yoruba: Ògún) é, na mitologia yoruba, o orixá ferreiro, senhor dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens.

É considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu), para o Aiye (a Terra), após a criação, um dos semideuses visando uma futura vida humana. Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra".

Foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa "afundar na terra e não morrer", em um lugar chamado 'Ire-Ekiti'.

Filho de Oduduwa e Yembo, irmão de Xangô, Oxossi, Oxun e Eleggua. Ogum é o filho mais velho de Odudua, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé. Quando Odudua esteve temporariamente cego, Ogum tornou-se seu regente em Ifé.

Ogum é um orixá importantíssimo na África e no Brasil. Sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ogum é o último imolé.

Os Igba Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal. A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos deuses da esquerda.

Foi Ogum quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.

Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê".

No Candomblé Ogum é o Orixá ferreiro dono de todos os caminhos e encruzilhadas junto com seu irmão Exu, também é tido como irmão de Oxossi e uma ligação muito forte com Oxaguian de quem é inseparável, aparece como o Senhor das guerras e demandas, suas cores são Azul cobalto e o verde e na Umbanda sua cor é o vermelho.

Em todas as suas encarnações, segundo as diferentes crenças, Ogum é impetuoso e de espírito marcial. Ele pode ser muito identificado com do sexo masculino (Shangô) ou feminino, além de poder possuir características homossexuais para alguns grupos, segundo o antropólogo Luiz Mott. Ele também está relacionado com o sangue e, por esse motivo, muitas vezes é chamado para curar doenças sangüíneas.

No culto dos orixás, ele aparece com outras identidades, tais como Ogum Akirum, Ogum Alagbede, Ogum Alara, Ogum Elemona, Ogum Ikole, Ogun Meji, Ogum Oloola, Ogum Onigbajamo, Ogum Onire, Ogun-un e Onile, sendo este último uma encarnação feminina.

Seus "filhos" aqui na Terra são pessoas fortes, que lutam na vida, são pessoas guerreiras que não descansam por nada, sempre ativas, combatem tudo. São verdadeiros peões. São pessoas corajosas, sem medo de se arriscar. São sérias e perseverantes. Tendência aos extremos: ou defende a polícia, ou foge dela.

Lenda

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé.

Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê. Antigamente, esta cidade era formada por sete aldeias. Por isto chamam-no, ainda hoje, Ogum mejejê lodê Irê - "Ogum das sete partes de Irê".

Ogum matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! - "Ogum Rei de Irê!"

Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, "akorô". Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô - "Ogum dono da pequena coroa".

Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede.

Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma.

Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

Ogun poderoso do mundo
O próximo a Deus
Aquele quetem água em casa, mas prefere banho com sangue
Aquele que tem roupa em casa]
Mas prefere se cobrir de mariô
Poderoso do mundo
Eu o saúdo
Que eu não depare com sua ira
Eu saúdo Ogun
Eu o saúdo, aquele que tem água em casa, mas prefere banho de sangue
Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranquilidade
Axé

quarta-feira, março 10, 2010

Quando chegássemos, gostaria de te ler um poema, o Neruda que sei de cor: Para mim és tesouro mais intenso de imensidão/ que o mar e seus racimos/ e és branca, és azul e/ extensa como a terra na vindima./ Nesse território, de teus pés à tua fronte,/ andando, andando, andando, eu passarei a vida.

quarta-feira, março 03, 2010

ou
Amiga,
afinal nos compreendemos.
Já não sofro, já não brilhas
Pau, pedra, caminho.
Um pouco sozinho.


Foi uma segunda-feira. Saiu falante, prometeu voltar dia seguinte. Chegou na quinta como quem vem de viagem longa, trazia dois olhos enormes e brilhantes cravados no rosto queimado de sol. Me pediu uma cadeira, achei que fosse me contar qualquer aventura, mas depois que se acomodou, puxou alguns papeis de uma pequena mala e parecia muito feliz entre eles. Perguntei se queria café, café com leite, chá, alguma coisa, respondeu que sim, café, como quem tem todo o direito de que lhe oferecessem um café depois de tudo o que havia acontecido em sua vida. E senti que era justo que o trabalho de fazer o café fosse meu, ora, parecia tão cansado de coisas absolutamente importantes. Servi sem demora, em uma bandeja, juntamente com uma colherinha e o açucareiro, para não interferir em seu paladar.

Depois, como não soubesse além de que algo extraordinário lhe acontecia, voltei às atividades que me tomaram a segunda, a terça e a quarta-feira. Reguei as plantas, fiz a cama, preguei alguns botões de suas camisas, li um artigo de revista feminina e meu coração de certa forma encheu-se de alguma esperança. Dormi com o abajur aceso fingindo ler enquanto o esperava vir deitar.

Acordei mais cedo, pus a mesa, pão quente, café e queijo novo. Fartou-se como se finalmente recebesse o adequado reconhecimento por seu penoso caminho. Tinha um rosto tranquilo para iniciar o dia e senti que meu trabalho estava cumprido. Saiu como chegou, e eu já nem lembrava que não sabia de onde veio, como também não soube para onde foi. Naquele momento, a paz de suas obrigações bem cumpridas já me tomava corpo e sabia que deveria ficar feliz por ter participado de suas ambições.

terça-feira, março 02, 2010

"Não se tem vinte anos duas vezes."
Vinte e oito também não.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

notinhas do 23.

marasmo.

tem gente que se a gente olhar bem falta gente.

depois dos últimos anos adquiri uma lâmpada de emergência.

faz muito tempo que não vejo um navio. não ver navios é como se tirasse a presença da ausência deixando a ausência ainda mais ausente.

vontade não dá e não passa.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

e volto ao silêncio sem fazer qualquer ruído.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

A vida de uma pessoa é semelhante ao momento em que uma mãe observa a filha brincando em um carrossel. De vez em quando ela retorna, a mãe acena, ela acena, e vai, depois retorna, e vai, e assim por diante. A primeira volta a mãe não sabe quanto tempo levará para o carrossel trazer a menina, nem como ela virá, se assustada, se ansiosa, mas depois as duas já sabem exatamente depois de quem irão aparecer e o passeio se torna meio rotineiro. Fazendo a escala, quando você já sabe depois de quem a menina chega, é porque você já está velho e levou algumas porradas. De resto, é esperar que se vá novamente.

sábado, janeiro 30, 2010

Ele tinha uns olhos azuis como os de T.J. Eckleburg. Um dia me disse que minha vida inteira mudaria a cada sete anos, mas não confiei. Achava à época que sete anos era mesmo uma vida e que não haveria com o que me preocupar. Qualquer mudança em sete anos seria pelo menos natural. Mas não é. Sete anos não são nada, absolutamente nada, e aquilo foi uma profecia. Ou uma praga rogada.

Paciência.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Quando cheguei, já passando das nove, ainda havia um resto de meia lua no céu. O muro enegrecido pela chuva, muito maior do que sempre foi, acompanhou-me em solene silêncio, concordando que, apesar de tudo, aquela lua deixava a manhã mais bela.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Não posso ler "voltei", sem completar mentalmente "recife".

domingo, dezembro 13, 2009

Gostaria de ter uma mente sadia e minimamente livre, mas a poesia é impossível na classe operária. Não, pelo menos, quando se é um operário sadio.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Somente uma explicação
exijo: porque insistes em
manter-me impotente sob
tuas imensas asas negras?

sábado, novembro 28, 2009

As duas me olhavam, uma sentada na poltrona gasta pelas unhas de Raul, a outra na cadeira gasta desde a loja, tomávamos café e Hilda me reclamava vinho do Porto. Eu era incapaz de negar-lhe razão, mas em minha casa mal havia um conhaque Dreher que usamos ano passado para adoçar o frio. A outra, que jamais irei lembrar o nome, tinha uma cabeleira anelada, olhos puxados e a cada ano de seu tempo próprio correspondiam dois. É de um vagar que nos incomoda. Esperavam de mim uma explicação, um motivo, uma justificativa. Sinto muito, foi o que pude dizer, sou apenas isso. Percebo Hilda, além de irritada com minha pouca oferta, a decepção que engole, amarga como meu café. Percebo minha outra amiga, lenta e gorda, duas vezes meu passado, demorando para dizer que já sabia. Mereci três baforadas de Hilda antes de dizer que eu era uma idiota e que iria para casa, que, aliás, havia sido por causa de gente como eu que havia perdido o gosto pela rua. A outra riu um riso esticado, pendendo a cabeça para trás - muitas vezes esse gesto, apesar de parecer uma resposta afirmativa, era um jeito vagaroso de dizer sem dizer que a outra pessoa não passava de uma tola -, limitou-se a dizer "êh, êh" e achei que talvez se chamasse Irene. Ouvi duas xícaras tilintando ao mesmo tempo nos píres e quando isso acontecia era a hora de irem embora. Dessa vez não fui deixá-las na porta, disse que fossem, que sabiam o caminho. Hilda partiu na frente prometendo não voltar mais. Irene levou quatro minutos para andar os dois metros que a distanciavam da porta e esqueceu-se de se despedir.

domingo, novembro 08, 2009

partiu ao som de a sunday smile
fiquei ao som de chega de saudade.

terça-feira, novembro 03, 2009

que o dia acabe, que o ano vire, que a terra gire, que o céu escora, que a bala volte, que a sorte jogue, que o corpo padeça, que o plano morra, que o tempo mude, que o inverno esqueça, que o peso devore, que o universo exploda.

quarta-feira, outubro 28, 2009

meu coração não costuma me enganar.