Ele tinha uns olhos azuis como os de T.J. Eckleburg. Um dia me disse que minha vida inteira mudaria a cada sete anos, mas não confiei. Achava à época que sete anos era mesmo uma vida e que não haveria com o que me preocupar. Qualquer mudança em sete anos seria pelo menos natural. Mas não é. Sete anos não são nada, absolutamente nada, e aquilo foi uma profecia. Ou uma praga rogada.
Paciência.
sábado, janeiro 30, 2010
sexta-feira, janeiro 08, 2010
domingo, dezembro 13, 2009
sexta-feira, dezembro 04, 2009
sábado, novembro 28, 2009
As duas me olhavam, uma sentada na poltrona gasta pelas unhas de Raul, a outra na cadeira gasta desde a loja, tomávamos café e Hilda me reclamava vinho do Porto. Eu era incapaz de negar-lhe razão, mas em minha casa mal havia um conhaque Dreher que usamos ano passado para adoçar o frio. A outra, que jamais irei lembrar o nome, tinha uma cabeleira anelada, olhos puxados e a cada ano de seu tempo próprio correspondiam dois. É de um vagar que nos incomoda. Esperavam de mim uma explicação, um motivo, uma justificativa. Sinto muito, foi o que pude dizer, sou apenas isso. Percebo Hilda, além de irritada com minha pouca oferta, a decepção que engole, amarga como meu café. Percebo minha outra amiga, lenta e gorda, duas vezes meu passado, demorando para dizer que já sabia. Mereci três baforadas de Hilda antes de dizer que eu era uma idiota e que iria para casa, que, aliás, havia sido por causa de gente como eu que havia perdido o gosto pela rua. A outra riu um riso esticado, pendendo a cabeça para trás - muitas vezes esse gesto, apesar de parecer uma resposta afirmativa, era um jeito vagaroso de dizer sem dizer que a outra pessoa não passava de uma tola -, limitou-se a dizer "êh, êh" e achei que talvez se chamasse Irene. Ouvi duas xícaras tilintando ao mesmo tempo nos píres e quando isso acontecia era a hora de irem embora. Dessa vez não fui deixá-las na porta, disse que fossem, que sabiam o caminho. Hilda partiu na frente prometendo não voltar mais. Irene levou quatro minutos para andar os dois metros que a distanciavam da porta e esqueceu-se de se despedir.
terça-feira, novembro 03, 2009
quarta-feira, outubro 28, 2009
segunda-feira, outubro 26, 2009
sexta-feira, outubro 23, 2009
quarta-feira, outubro 21, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
quinta-feira, setembro 17, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
quinta-feira, setembro 10, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
terça-feira, setembro 08, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Você tem que se assumir branca, minha filha, ter orgulho de não ter cor. Tem que parar de brigar com o cabelo que não adianta, não trança, é mole sim, escorrido, e deve ter a sua beleza. Tem que entender, meu bem, quando for velha a pele vai ficar mesmo opaca e amassada, não vai emanar uma gota luz. Tem que entender do jeito branco, que é devagar, frágil, comedido, discreto, do cabelo branco em cima da pele branca como uma anágoa de vestido de noiva. É melhor não implicar com isso que sol não faz bem, dá doença, mancha e não ajeita.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Setembro chegou com fogo nos olhos.
Batendo estaca, varrendo o ano com
a cauda. E ainda é só um tempo, um
grave espaço entre dois membros,
dois nomes, dois ponteiros. Setembro
é o que existe entre minha cabeça
e meu pé. Entre onde subo e onde desço
do ônibus. É o que me espera
na estação: nenhuma tarde vazia.
Setembro é o que existe entre
quaisquer dois pontos do universo
e não compreende uma tarde vazia.
Batendo estaca, varrendo o ano com
a cauda. E ainda é só um tempo, um
grave espaço entre dois membros,
dois nomes, dois ponteiros. Setembro
é o que existe entre minha cabeça
e meu pé. Entre onde subo e onde desço
do ônibus. É o que me espera
na estação: nenhuma tarde vazia.
Setembro é o que existe entre
quaisquer dois pontos do universo
e não compreende uma tarde vazia.
Assinar:
Postagens (Atom)