segunda-feira, outubro 26, 2009
sexta-feira, outubro 23, 2009
quarta-feira, outubro 21, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
quinta-feira, setembro 17, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
quinta-feira, setembro 10, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
terça-feira, setembro 08, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Você tem que se assumir branca, minha filha, ter orgulho de não ter cor. Tem que parar de brigar com o cabelo que não adianta, não trança, é mole sim, escorrido, e deve ter a sua beleza. Tem que entender, meu bem, quando for velha a pele vai ficar mesmo opaca e amassada, não vai emanar uma gota luz. Tem que entender do jeito branco, que é devagar, frágil, comedido, discreto, do cabelo branco em cima da pele branca como uma anágoa de vestido de noiva. É melhor não implicar com isso que sol não faz bem, dá doença, mancha e não ajeita.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Setembro chegou com fogo nos olhos.
Batendo estaca, varrendo o ano com
a cauda. E ainda é só um tempo, um
grave espaço entre dois membros,
dois nomes, dois ponteiros. Setembro
é o que existe entre minha cabeça
e meu pé. Entre onde subo e onde desço
do ônibus. É o que me espera
na estação: nenhuma tarde vazia.
Setembro é o que existe entre
quaisquer dois pontos do universo
e não compreende uma tarde vazia.
Batendo estaca, varrendo o ano com
a cauda. E ainda é só um tempo, um
grave espaço entre dois membros,
dois nomes, dois ponteiros. Setembro
é o que existe entre minha cabeça
e meu pé. Entre onde subo e onde desço
do ônibus. É o que me espera
na estação: nenhuma tarde vazia.
Setembro é o que existe entre
quaisquer dois pontos do universo
e não compreende uma tarde vazia.
segunda-feira, agosto 31, 2009
quarta-feira, agosto 26, 2009
Dora
Eu olhava pra ela, tanto, tanto que ela não podia me ver. Ela só passava, estampada, e falava, e falava, também tanto que eu eu não podia dizer-lhe nada. Eu só assistia, as mãos delas às voltas, do rosto, do corpo, nos cabelos, tão fortes as mãos dela. Ela me levava através de castelos, cirandas, moinhos, mirandas, luas, gôndolas, tangos, sistemas, campinhos, ela tinha o universo na palavra. Eu a levaria, Bruxelas, Salamanca, Viena, Cairo, Lisboa, Santiago, minha casa, meu jardim. Ela, que não esperava nada, passou e não pousou, não residiu, fincou estaca em outro jardim, e neste jardim, apesar dos avisos, seus pés passavam sobre as plantas. Eu só assistia, ela cada dia refazendo um pedaço do caminho, pedra atrás de pedra, um traço bonito, contornando uma casa, desenho bonito aquele que ela fazia. Ela deixou os cabelos crescerem, uma dia quase não reconheço, as mãos tinham parado, vestido era liso, boca não mexia. Eu acenei algumas vezes, só para dizer que estava ali, que ainda tinha aquele livro das metades que ela tinha me dado, queria dizer que a gente podia colar todas se ela quisesse. Ela nunca ouviu. Eu me mudei, comprei fruteira, geladeira, passagem para Berlim, dei alguns telefonemas ainda, mas ela nunca estava. Pensei na vida, nas escolhas, no que podemos nos tornar. Um dia descrobri que tinha deixado a casa, virado sambista, dançarina, não sei. Disseram que tinha agora muito pouca coisa, uma mesa, uma cadela, dois brincos longos e uma estante de livros, mas que dançava a vida divinamente.
sábado, agosto 15, 2009
Potência
é um segredo. é como ser uma avenida que espera três blocos de carnaval que irão passar ao mesmo tempo. então, é também um mistério.
terça-feira, agosto 11, 2009
Apetite
vem de quanto mais farto. não o tem quem sente fome. não se tem sem ócio, sorte, amor e graça.
sexta-feira, agosto 07, 2009
quinta-feira, julho 30, 2009
quinta-feira, julho 16, 2009
meu bloco: tristeza e pé no chão.
dei um aperto de saudade no meu tamborim
molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas
dei meio tempo de espera para a marcação
e cantei a minha vida na avenida sem empolgação:
vai manter a tradição.
molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas
dei meio tempo de espera para a marcação
e cantei a minha vida na avenida sem empolgação:
vai manter a tradição.
sábado, junho 13, 2009
terça-feira, junho 02, 2009
Foi o seu prefácio que meu "deu o toque", professor. "Goza sem possuir, possui sem gozar". Já o tinha lido mais de dez vezes, mas naquele dia em especial, era o anoitecer mais estranho de todas as sextas-feiras. Atrás de mim, algumas pessoas tentavam afinar suas flautas a seus dedos, deviam ser jovens e estavam dispostas. Ao meu lado, um rapaz talvez tão solitário quanto eu tentava enviar uma mensagem a alguém, o que me impedia de esquivar à memória de que havia também aqueles a quem deveria eu ligar. À minha frente, duas moças desenhavam sentadas na grama. Só saíram de lá quando uma nuvem baixa cobriu o pôr-do-sol e a luz se fez tão fraca que nada mais ultrajava nitidez: continuar seria um erro, uma perda de tempo, e partiram. Fiquei eu a lembrar das outras vezes que ali estive, tão diversas entre si e tão absolutamente opostas ao que trago agora, que neste mesmo mês do ano anterior não poderia sequer supor. Agora estávamos em constrangida evidência, eu e a noite, fecho o livro aberto entre as coxas, visto o casaco e retardo o caminho de volta para casa. Sinto uma fisgada no ombro esquerdo, salva por uma angina, penso, mas era apenas uma formiga.
Vai-te para longe de mim, hora.
O bater de tuas asas me excrucia.
Mas de minha boca, que fazer agora?
e da minha noite? e do meu dia?
Eu não tenho amada nem abrigo,
sequer um lugar para viver eu tenho.
Todas as coisas em que me empenho
tornam-se opulentas, acabam comigo.
Vai-te para longe de mim, hora.
O bater de tuas asas me excrucia.
Mas de minha boca, que fazer agora?
e da minha noite? e do meu dia?
Eu não tenho amada nem abrigo,
sequer um lugar para viver eu tenho.
Todas as coisas em que me empenho
tornam-se opulentas, acabam comigo.
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