terça-feira, abril 24, 2012
Ontem à noite uma estrela morreu. O universo, claro, mal percebeu, morrem estrelas quase todos os dias. O que ninguém imagina, nem o universo, ocupado em acertar diariamente o seu relógio, é que há um lixo cósmico que permanece de cada estrela no ar que cada ser respira.
Era uma estrela, morreu para se transformar em um pouco de asco, um pouco de ácido, em uma massa terrena sem resíduo de esperança. Agora, o vento arrasta uma primeira camada desse pó fino e sórdido, não se sabe se um dia terminará seu trabalho.
E não é a primeira, nem será a última.
segunda-feira, abril 23, 2012
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Idade Média
No entanto, a culpa, por assim dizer, desse 'pacote' indiscriminado de dez séculos é também, um pouco, da cultura medieval, que, tendo escolhido ou achando-se obrigada a escolher o latim como língua franca, o texto bíblico como livro fundamental e a tradição patrística como único testemunho da cultura clássica, trabalha comentando e citando fórmulas autorizadas, com ar de não dizer nunca nada de novo. Não é verdade; a cultura medieval tem o sentido da inovação, mas procura escondê-la sob as vestes da repetição (ao contrário da cultura moderna que finge inovar mesmo quando repete).
terça-feira, janeiro 17, 2012
do tempo: despetalado
Essa noite sonhei com você, mas lógico, não era você. Porque você não é mais você. Vejo suas fotografias, mas posso garantir que não há mais você ali. Não pesa, não zumbe, não tumba, não medra. Vejo minhas mãos em suas fotografias, como uma moldura que jamais conheci, não são minhas quando estão ali. Se acerto o foco e elas são minhas novamente, sequer reconheço o que tocam. Não há absolutamente nada entre a sua representação e a minha linguagem.
quinta-feira, dezembro 01, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
Era loura. Tinha uns olhos azuis de partir o coração. Passava uma pintura preta na pouca pálpebra que tinha, e me intrigava, porque do pouco que entendo de perspectivas, isso deveria diminuí-las. Entretanto, nela acontecia o oposto, se lhe abriam, abriam um espaço como todo o universo ao redor do azul da terra. Falava português puxando um x, e eu sabia que em tudo me compreendia, mas punha uma cara de quem pensava em outro sistema: era sua habitual estratégia para me intimidar. Um dia ainda lhe digo, desvio meus olhos da imensidão dos seus e lhe digo: sua cidade vai ser sempre uma pequena revolta dentro de mim. E caso me pergunte, não lhe direi o porque.
terça-feira, novembro 08, 2011
domingo, novembro 06, 2011
Tomas dos zapatos vacíos. Que tengan mi talla, que sean de mi color. Te los pones. Bailas como si yo estuviera delante de ti. Me sonríes, el brazo acomodado sobre mi brazo. Evocas la presión de mi mano en tu cintura. La música es alegre, toda la alegría posible en cada detalle para impedir que mi ausencia se cobre el precio con la melancolia. Al menos así, finalmente bailo bien, no peso, soy liviano ágil perfecto, como si no estuviera.
Herança
Te tenho todo
e te tenho que
deixar.
Escolho um banco
de estação
de trem
do ano.
Te deixo no outono
interminável
uns pedaços de pão
pros pombos
para João
que talvez ainda venha
este ano.
Solto um agudo
o vagão se desprende
um trem que não sai
então te reconheço:
todo esse tempo
- você me diz -
e não faz mais que uma madrugada
que tento conciliar
você e o sono.
e te tenho que
deixar.
Escolho um banco
de estação
de trem
do ano.
Te deixo no outono
interminável
uns pedaços de pão
pros pombos
para João
que talvez ainda venha
este ano.
Solto um agudo
o vagão se desprende
um trem que não sai
então te reconheço:
todo esse tempo
- você me diz -
e não faz mais que uma madrugada
que tento conciliar
você e o sono.
domingo, outubro 30, 2011
No hay pies con zapatos nuevos
como agradan tus amores;
eres entre mil mancebos
hornazo en pascua de Flores
con sus picos y sus huevos.
Pareces en verde prado
toro bravo y rojo echado;
pareces camisa nueva
que entre jazmines se lleva
en azafate dorado.
Pareces cirio pascual
y marzapán de bautismo
con capillo de cendal,
y paréceste a ti mismo
porque no tienes igual.
como agradan tus amores;
eres entre mil mancebos
hornazo en pascua de Flores
con sus picos y sus huevos.
Pareces en verde prado
toro bravo y rojo echado;
pareces camisa nueva
que entre jazmines se lleva
en azafate dorado.
Pareces cirio pascual
y marzapán de bautismo
con capillo de cendal,
y paréceste a ti mismo
porque no tienes igual.
quinta-feira, outubro 13, 2011
Respeto y admiración

Gracias al pueblo llano y simple que me proporcionó el caudal inagotable de su sabiduría para enriquecer mi trabajo. Ese pueblo me enseñó que la tierra está para acariciarla; unos, acariciándola sacan trigo, mientras nosotros acariciándola extraemos su música. Pisoteándola y humillándola no produce ni música ni espigas.
terça-feira, outubro 04, 2011
Prezado Sr Harley Andrade,
Gostaria de esclarecer algumas questões que aparecem bastante equivocadas em sua fala. Algo por si só incompreensível, pois o Sr deve ter por volta de uns 50 anos e no seu tempo de criança a escola pública de Belo Horizonte ainda era muito boa. Provavelmente sua educação deve ter sido de alta qualidade.
Em primeiro lugar, não se usa chamar alguém que você desconhece de mal educado. A sua professora deve ter te ensinado isso. O cidadão de Belo Horizonte não é mal educado, e se o é, apele para os seus colega das secretarias de educação, faça jus à competência que lhe depositam e contribua para resolver algum problema dos que se acumulam nessa cidade. O que o cidadão de Belo Horizonte parece estar sendo é, no máximo, conivente, pois ouvimos pronunciamentos como esse seu e não costumamos fazer muitas coisas. Nosso maior erro.
Em segundo lugar, você é pago para prever o público dos eventos que acontecem na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, não eu, ou os demais cidadãos de Belo Horizonte. Se você não foi capaz de prever os 57 mil cidadãos carentes de eventos gratuitos na cidade que você administra, peça desculpas a nós cidadãos que não conseguimos chgar ao local do evento, apresente um projeto prevendo aumento das linhas de ônibus para o locais dos próximos eventos, ria amavelmente na televisão de maneira que nos tranquilize e jure que jamais irá acontecer novamente. Sua professora deve ter te ensinado a fazer projetos, falta só a boa vontade de tentar resolver e a decência de assumir que não fez seu trabalho adequadamente. Ou melhor, que não vem fazendo seu trabalho adequadamente, pois qualquer evento nessa cidade (e especialmente na regional Centro-Sul) tem sido impossível.
Em terceiro lugar, acredito que na sua casa nem tudo você resolve com proibição. Por exemplo, quando sua filha quer ir pra uma festa, seu filho para um acampamento, sua mulher à promoção da M. Martam e você para algum Happy Hour na Pium-hi com seus outros colegas secretários, acredito que vocês tentam minimamente combinar as coisas, provavelmente você propõe a cópia das chaves de entrada do seu apartamento, aumenta o número de carros na casa (porque certamente sua família não utiliza o transporte púlico de Belo Horizonte, tendo em vista sua fala no Jornal O Tempo), ou algo assim. Imagino que se você proibir a todos de fazer o que eles têm direito de desejar vai dar problemas para você, sua família vai ficar irritada, vão parar de te respeitar e provavelmente não vão mais esperar por você para nada. Imagino igualmente que se algum de seus familiares escolher (arbitrariamente) que você não irá tomar a sua cerveja porque alguém tem que abrir a casa e que é você quem vai pagar o pato, não vai te deixar feliz, mas frustrado e revoltado.
Uma cidade é feita de pessoas como a sua família. Elas não gostam de proibições da mesma forma como você não gosta. Especialmente as proibições arbitrárias, intransigentes e higienistas que estão ocorrendo em Belo Horizonte, por pessoas que pensam assim como você. Acredite, não é um bom caminho. É muito melhor administrar pessoas felizes. Essa regrinha com certeza não foi a sua professora que te ensinou, mas a vida já devia ter feito você entender.
Lamento por você. Espero sua retratação no jornal.
Mirella Adriano.
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=184039%2COTE
Gostaria de esclarecer algumas questões que aparecem bastante equivocadas em sua fala. Algo por si só incompreensível, pois o Sr deve ter por volta de uns 50 anos e no seu tempo de criança a escola pública de Belo Horizonte ainda era muito boa. Provavelmente sua educação deve ter sido de alta qualidade.
Em primeiro lugar, não se usa chamar alguém que você desconhece de mal educado. A sua professora deve ter te ensinado isso. O cidadão de Belo Horizonte não é mal educado, e se o é, apele para os seus colega das secretarias de educação, faça jus à competência que lhe depositam e contribua para resolver algum problema dos que se acumulam nessa cidade. O que o cidadão de Belo Horizonte parece estar sendo é, no máximo, conivente, pois ouvimos pronunciamentos como esse seu e não costumamos fazer muitas coisas. Nosso maior erro.
Em segundo lugar, você é pago para prever o público dos eventos que acontecem na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, não eu, ou os demais cidadãos de Belo Horizonte. Se você não foi capaz de prever os 57 mil cidadãos carentes de eventos gratuitos na cidade que você administra, peça desculpas a nós cidadãos que não conseguimos chgar ao local do evento, apresente um projeto prevendo aumento das linhas de ônibus para o locais dos próximos eventos, ria amavelmente na televisão de maneira que nos tranquilize e jure que jamais irá acontecer novamente. Sua professora deve ter te ensinado a fazer projetos, falta só a boa vontade de tentar resolver e a decência de assumir que não fez seu trabalho adequadamente. Ou melhor, que não vem fazendo seu trabalho adequadamente, pois qualquer evento nessa cidade (e especialmente na regional Centro-Sul) tem sido impossível.
Em terceiro lugar, acredito que na sua casa nem tudo você resolve com proibição. Por exemplo, quando sua filha quer ir pra uma festa, seu filho para um acampamento, sua mulher à promoção da M. Martam e você para algum Happy Hour na Pium-hi com seus outros colegas secretários, acredito que vocês tentam minimamente combinar as coisas, provavelmente você propõe a cópia das chaves de entrada do seu apartamento, aumenta o número de carros na casa (porque certamente sua família não utiliza o transporte púlico de Belo Horizonte, tendo em vista sua fala no Jornal O Tempo), ou algo assim. Imagino que se você proibir a todos de fazer o que eles têm direito de desejar vai dar problemas para você, sua família vai ficar irritada, vão parar de te respeitar e provavelmente não vão mais esperar por você para nada. Imagino igualmente que se algum de seus familiares escolher (arbitrariamente) que você não irá tomar a sua cerveja porque alguém tem que abrir a casa e que é você quem vai pagar o pato, não vai te deixar feliz, mas frustrado e revoltado.
Uma cidade é feita de pessoas como a sua família. Elas não gostam de proibições da mesma forma como você não gosta. Especialmente as proibições arbitrárias, intransigentes e higienistas que estão ocorrendo em Belo Horizonte, por pessoas que pensam assim como você. Acredite, não é um bom caminho. É muito melhor administrar pessoas felizes. Essa regrinha com certeza não foi a sua professora que te ensinou, mas a vida já devia ter feito você entender.
Lamento por você. Espero sua retratação no jornal.
Mirella Adriano.
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=184039%2COTE
domingo, setembro 25, 2011
ser-todo
Es apenas un cuchillo, le dije, lo que divide la vida entre el sol y la oscura hipótesis. Vivir, le dije, es esto cuchillo, pero no me oyó. Y sigue.
terça-feira, setembro 13, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
17:50
- Fíjate en esta luz. Ahora mismo no es de día ni de noche. Éste es el momento de mayor incertitubre del día. Puede pasar qualquier cosa.
domingo, setembro 11, 2011
quarta-feira, setembro 07, 2011
quarta-feira, agosto 31, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
sexta-feira, agosto 05, 2011
Essa vai especialmente para você, morena.
Juro pela sedução de suas pálpebras e por sua cintura;
juro pelas flechas que seu encanto dispara;
juro pela suavidade de seus membros e por seu olhar agudo;
juro por seus cílios que me impedem o sono
e que me dominam, proibindo e ordenando;
juro pelos escorpiões que sua fronte arremessa,
e que matam os amantes que abandona;
juro pelo rosado das faces bem-feitas;
juro pelo cristal vernelho de sua boca e pérola dos dentes;
juro por seu agradável hálito e pela água doce
que escorre de sua boca com o mel de sua saliva de vinho;
juro por seu colo e estatura em forma de ramo,
sentado, seu peito contém um romã;
juro por suas ancas que se agitam, agitado esteja
ou parado; juro pela esbelteza de sua cintura;
juro pelo seu toque sedoso e leveza de espírito;
juro por toda a beleza que ele contém;
juro por sua afabilidade e veracidade;
juro por sua boa origem e sublime capacidade:
é por ele que o conhecedor define o almíscar,
e a brisa que espalha sua fragância é a dele;
também abaixo dele está o sol brilhante,
e nem a lua crescente vale sua unha cortada.
Juro pela sedução de suas pálpebras e por sua cintura;
juro pelas flechas que seu encanto dispara;
juro pela suavidade de seus membros e por seu olhar agudo;
juro por seus cílios que me impedem o sono
e que me dominam, proibindo e ordenando;
juro pelos escorpiões que sua fronte arremessa,
e que matam os amantes que abandona;
juro pelo rosado das faces bem-feitas;
juro pelo cristal vernelho de sua boca e pérola dos dentes;
juro por seu agradável hálito e pela água doce
que escorre de sua boca com o mel de sua saliva de vinho;
juro por seu colo e estatura em forma de ramo,
sentado, seu peito contém um romã;
juro por suas ancas que se agitam, agitado esteja
ou parado; juro pela esbelteza de sua cintura;
juro pelo seu toque sedoso e leveza de espírito;
juro por toda a beleza que ele contém;
juro por sua afabilidade e veracidade;
juro por sua boa origem e sublime capacidade:
é por ele que o conhecedor define o almíscar,
e a brisa que espalha sua fragância é a dele;
também abaixo dele está o sol brilhante,
e nem a lua crescente vale sua unha cortada.
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