quinta-feira, setembro 18, 2014
a última vez que te vi foi quando meu avô partia, eu sem entender, sem saber, você perguntava como eu estava e eu incapaz de perceber que era apenas seu jeito educado de condolências, sua inteligência social. e eu perguntava de ti, sobre como você estava, o que seu coração sentia pelo mundo, que agora era tão grande o nosso, era uma aventura tão maravilhosa essa nossa liberdade, eu tinha vivido tanto tanto tanto nos últimos anos e queria saber se você também, e você respondia que agora era tudo diferente, eu não iria entender, mas era tudo muito, muito diferente do nosso tempo, e que estava feliz. Naquele dia que meu avô partia para um mundo totalmente livre eu não podia te entender, eu não poderia entender que você havia se tornado isso. hoje eu não seria nem sua colega.
domingo, outubro 20, 2013
Sempre tive o costume de reconhecer, em todo tipo de superfície dotada de qualquer textura, feições significativas. Na cortina florida vive um E. T. No teto antigo de viga da casa em que tivemos em Barcelona vivia uma "carinha cubista" que só eu era capaz de ver. Vejo cabelos compridos, vejo ditadores, árabes, moças ruivas, crianças, velhos, mulheres de tranças, com variados detalhes que lhes dão contexto suficiente para que deles eu apreeenda sua história, seus gostos, desejos e o motivo pelo qual vivem afixados nas paredes do mundo.
Mas hoje foi diferente. Era um piso de concreto pré-moldado formados por arestas perfeitas mediam exatos 1 metro, de um prédio público da década de 50, e eu vi o Charles Dickens.
segunda-feira, maio 27, 2013
humildade
(latim humilitas, -atis, pequenez, modéstia)
s. f.
1. Qualidade de humilde.
2. Capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos ou limitações. = MODÉSTIA ≠ ALTIVEZ, ARROGÂNCIA, ORGULHO
3. Sentimento de inferioridade. = REBAIXAMENTO
4. Demonstração de respeito, submissão. = DEFERÊNCIA, REVERÊNCIA ≠ DESRESPEITO
5. Ausência de luxo ou sofisticação. = SIMPLICIDADE, SOBRIEDADE ≠ OSTENTAÇÃO
6. Pobreza, penúria.
quarta-feira, janeiro 16, 2013
Venta frio em Barcelona. A Barcelona sempre hi fa bon temps, dizem aqui. Verdade. Até o vento frio de inverno é bonito, parece de outono, faz carnaval nas folhas secas, nas folhas amarelas, nas folhas vermelhas, nas folhas verdes, as pessoas continuam nas calçadas, mesmo sob confetes, mesmo sob a poluição, sob uma nuvem de poeira, continuam nas calçadas e comem a comida manchada pelo pó. São frios os catalães, dizem os andaluzes. Verdade. Conheço poucos espanhóis, mas me dei muito melhor com os galegos do que com catalães. Vai ver é porque a morriña e a saudade façam um par único no mundo, ou talvez seja porque o catalão mais legal que eu tenha conhecido me interceptou no meio da Rambla com uma conversa estranha de cartas numa noite estranha e de ventania. Ou talvez porque eu ainda não os entenda. Venho de uma cidade neurótica na costa nordeste do Brasil, uma cidade onde jamais alguém se deixaria estas à ventania e comeria com pó.
Venta frio em Barcelona, quando isso acontece as árvores cantam. São plátanos e moram na minha janela à altura do meu terceiro andar que é na verdade quarto, sem elevador e sem calefação, sem paredes nem portas nem janelas. Moro na casa muito engraçada, e ainda assim, é a minha casa ideal. Porque está em Barcelona, uma cidade onde as pessoas comem baixo a ventania ao frio e tomam cerveja fria na calçada no inverno, que eu ainda não sei nem o que é, porque a Barcelona sempre hi fa bon temps.
E se me enterneço, é porque fui há pouco saudada por um pedaço de abacaxi esquecido em um copo tipo take away no banco da estação do Liceu, e era como se me dissesse "me leva pra casa", eu vim do mercado Sant Josep, tem um vitral lindo lá, é aí em cima, a loura inglesa que me comprou esqueceu de me comer, são todos distraídos esses que estão de passagem, "me leva pra casa", dessa vez fui eu. E eu não podia, ou arrumei uma desculpa qualquer para não ir ao Sant Josep imediatamente, calei o ouvido ao abacaxi e fui ao chinês da Paral·lel. Precisava de um esmalte vermelho e algo para envolver o meu pescoço, quando venta em Barcelona faz muito frio.
terça-feira, janeiro 08, 2013
Para nunca parar.
Sempre fui de ir, mas de uns anos para cá apareceram umas bolsas escuras embaixo dos meus olhos e tenho evitado espelhos em dias de muito sol.
Quase nunca você vê, mas essas bochechas não são sobras do que comi e não deveria ter comido, não é isso e você não sabe, mas é falta de um sono bom daqueles de contar ovelhas.
Eu nunca duvidei que poderia ser como qualquer moça daquelas que aparecem nas revistas, mas hoje tenho que admitir que aquilo tudo não é apenas resultado de uma força de vontade cósmica, aos 31 os peitos, as coxas, o baixo dos braços, te ensinam mais sobre vontade do que qualquer livro cuja capa traga uma montanha zen e títulos gravados em Hot Stamping.
E talvez a verdade seja que quando você não bate em minha porta, nada disso existe, os espelhos, as bochechas, o baixo dos braços, meus cabelos sadios, minha tez ébria, meus sapatos baixos me vão bem, obrigada, bem longe dos seus olhos.
sexta-feira, outubro 26, 2012
sexta-feira, maio 25, 2012
terça-feira, abril 24, 2012
Ontem à noite uma estrela morreu. O universo, claro, mal percebeu, morrem estrelas quase todos os dias. O que ninguém imagina, nem o universo, ocupado em acertar diariamente o seu relógio, é que há um lixo cósmico que permanece de cada estrela no ar que cada ser respira.
Era uma estrela, morreu para se transformar em um pouco de asco, um pouco de ácido, em uma massa terrena sem resíduo de esperança. Agora, o vento arrasta uma primeira camada desse pó fino e sórdido, não se sabe se um dia terminará seu trabalho.
E não é a primeira, nem será a última.
segunda-feira, abril 23, 2012
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Idade Média
No entanto, a culpa, por assim dizer, desse 'pacote' indiscriminado de dez séculos é também, um pouco, da cultura medieval, que, tendo escolhido ou achando-se obrigada a escolher o latim como língua franca, o texto bíblico como livro fundamental e a tradição patrística como único testemunho da cultura clássica, trabalha comentando e citando fórmulas autorizadas, com ar de não dizer nunca nada de novo. Não é verdade; a cultura medieval tem o sentido da inovação, mas procura escondê-la sob as vestes da repetição (ao contrário da cultura moderna que finge inovar mesmo quando repete).
terça-feira, janeiro 17, 2012
do tempo: despetalado
Essa noite sonhei com você, mas lógico, não era você. Porque você não é mais você. Vejo suas fotografias, mas posso garantir que não há mais você ali. Não pesa, não zumbe, não tumba, não medra. Vejo minhas mãos em suas fotografias, como uma moldura que jamais conheci, não são minhas quando estão ali. Se acerto o foco e elas são minhas novamente, sequer reconheço o que tocam. Não há absolutamente nada entre a sua representação e a minha linguagem.
quinta-feira, dezembro 01, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
Era loura. Tinha uns olhos azuis de partir o coração. Passava uma pintura preta na pouca pálpebra que tinha, e me intrigava, porque do pouco que entendo de perspectivas, isso deveria diminuí-las. Entretanto, nela acontecia o oposto, se lhe abriam, abriam um espaço como todo o universo ao redor do azul da terra. Falava português puxando um x, e eu sabia que em tudo me compreendia, mas punha uma cara de quem pensava em outro sistema: era sua habitual estratégia para me intimidar. Um dia ainda lhe digo, desvio meus olhos da imensidão dos seus e lhe digo: sua cidade vai ser sempre uma pequena revolta dentro de mim. E caso me pergunte, não lhe direi o porque.
terça-feira, novembro 08, 2011
domingo, novembro 06, 2011
Tomas dos zapatos vacíos. Que tengan mi talla, que sean de mi color. Te los pones. Bailas como si yo estuviera delante de ti. Me sonríes, el brazo acomodado sobre mi brazo. Evocas la presión de mi mano en tu cintura. La música es alegre, toda la alegría posible en cada detalle para impedir que mi ausencia se cobre el precio con la melancolia. Al menos así, finalmente bailo bien, no peso, soy liviano ágil perfecto, como si no estuviera.
Herança
Te tenho todo
e te tenho que
deixar.
Escolho um banco
de estação
de trem
do ano.
Te deixo no outono
interminável
uns pedaços de pão
pros pombos
para João
que talvez ainda venha
este ano.
Solto um agudo
o vagão se desprende
um trem que não sai
então te reconheço:
todo esse tempo
- você me diz -
e não faz mais que uma madrugada
que tento conciliar
você e o sono.
e te tenho que
deixar.
Escolho um banco
de estação
de trem
do ano.
Te deixo no outono
interminável
uns pedaços de pão
pros pombos
para João
que talvez ainda venha
este ano.
Solto um agudo
o vagão se desprende
um trem que não sai
então te reconheço:
todo esse tempo
- você me diz -
e não faz mais que uma madrugada
que tento conciliar
você e o sono.
domingo, outubro 30, 2011
No hay pies con zapatos nuevos
como agradan tus amores;
eres entre mil mancebos
hornazo en pascua de Flores
con sus picos y sus huevos.
Pareces en verde prado
toro bravo y rojo echado;
pareces camisa nueva
que entre jazmines se lleva
en azafate dorado.
Pareces cirio pascual
y marzapán de bautismo
con capillo de cendal,
y paréceste a ti mismo
porque no tienes igual.
como agradan tus amores;
eres entre mil mancebos
hornazo en pascua de Flores
con sus picos y sus huevos.
Pareces en verde prado
toro bravo y rojo echado;
pareces camisa nueva
que entre jazmines se lleva
en azafate dorado.
Pareces cirio pascual
y marzapán de bautismo
con capillo de cendal,
y paréceste a ti mismo
porque no tienes igual.
quinta-feira, outubro 13, 2011
Respeto y admiración

Gracias al pueblo llano y simple que me proporcionó el caudal inagotable de su sabiduría para enriquecer mi trabajo. Ese pueblo me enseñó que la tierra está para acariciarla; unos, acariciándola sacan trigo, mientras nosotros acariciándola extraemos su música. Pisoteándola y humillándola no produce ni música ni espigas.
terça-feira, outubro 04, 2011
Prezado Sr Harley Andrade,
Gostaria de esclarecer algumas questões que aparecem bastante equivocadas em sua fala. Algo por si só incompreensível, pois o Sr deve ter por volta de uns 50 anos e no seu tempo de criança a escola pública de Belo Horizonte ainda era muito boa. Provavelmente sua educação deve ter sido de alta qualidade.
Em primeiro lugar, não se usa chamar alguém que você desconhece de mal educado. A sua professora deve ter te ensinado isso. O cidadão de Belo Horizonte não é mal educado, e se o é, apele para os seus colega das secretarias de educação, faça jus à competência que lhe depositam e contribua para resolver algum problema dos que se acumulam nessa cidade. O que o cidadão de Belo Horizonte parece estar sendo é, no máximo, conivente, pois ouvimos pronunciamentos como esse seu e não costumamos fazer muitas coisas. Nosso maior erro.
Em segundo lugar, você é pago para prever o público dos eventos que acontecem na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, não eu, ou os demais cidadãos de Belo Horizonte. Se você não foi capaz de prever os 57 mil cidadãos carentes de eventos gratuitos na cidade que você administra, peça desculpas a nós cidadãos que não conseguimos chgar ao local do evento, apresente um projeto prevendo aumento das linhas de ônibus para o locais dos próximos eventos, ria amavelmente na televisão de maneira que nos tranquilize e jure que jamais irá acontecer novamente. Sua professora deve ter te ensinado a fazer projetos, falta só a boa vontade de tentar resolver e a decência de assumir que não fez seu trabalho adequadamente. Ou melhor, que não vem fazendo seu trabalho adequadamente, pois qualquer evento nessa cidade (e especialmente na regional Centro-Sul) tem sido impossível.
Em terceiro lugar, acredito que na sua casa nem tudo você resolve com proibição. Por exemplo, quando sua filha quer ir pra uma festa, seu filho para um acampamento, sua mulher à promoção da M. Martam e você para algum Happy Hour na Pium-hi com seus outros colegas secretários, acredito que vocês tentam minimamente combinar as coisas, provavelmente você propõe a cópia das chaves de entrada do seu apartamento, aumenta o número de carros na casa (porque certamente sua família não utiliza o transporte púlico de Belo Horizonte, tendo em vista sua fala no Jornal O Tempo), ou algo assim. Imagino que se você proibir a todos de fazer o que eles têm direito de desejar vai dar problemas para você, sua família vai ficar irritada, vão parar de te respeitar e provavelmente não vão mais esperar por você para nada. Imagino igualmente que se algum de seus familiares escolher (arbitrariamente) que você não irá tomar a sua cerveja porque alguém tem que abrir a casa e que é você quem vai pagar o pato, não vai te deixar feliz, mas frustrado e revoltado.
Uma cidade é feita de pessoas como a sua família. Elas não gostam de proibições da mesma forma como você não gosta. Especialmente as proibições arbitrárias, intransigentes e higienistas que estão ocorrendo em Belo Horizonte, por pessoas que pensam assim como você. Acredite, não é um bom caminho. É muito melhor administrar pessoas felizes. Essa regrinha com certeza não foi a sua professora que te ensinou, mas a vida já devia ter feito você entender.
Lamento por você. Espero sua retratação no jornal.
Mirella Adriano.
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=184039%2COTE
Gostaria de esclarecer algumas questões que aparecem bastante equivocadas em sua fala. Algo por si só incompreensível, pois o Sr deve ter por volta de uns 50 anos e no seu tempo de criança a escola pública de Belo Horizonte ainda era muito boa. Provavelmente sua educação deve ter sido de alta qualidade.
Em primeiro lugar, não se usa chamar alguém que você desconhece de mal educado. A sua professora deve ter te ensinado isso. O cidadão de Belo Horizonte não é mal educado, e se o é, apele para os seus colega das secretarias de educação, faça jus à competência que lhe depositam e contribua para resolver algum problema dos que se acumulam nessa cidade. O que o cidadão de Belo Horizonte parece estar sendo é, no máximo, conivente, pois ouvimos pronunciamentos como esse seu e não costumamos fazer muitas coisas. Nosso maior erro.
Em segundo lugar, você é pago para prever o público dos eventos que acontecem na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, não eu, ou os demais cidadãos de Belo Horizonte. Se você não foi capaz de prever os 57 mil cidadãos carentes de eventos gratuitos na cidade que você administra, peça desculpas a nós cidadãos que não conseguimos chgar ao local do evento, apresente um projeto prevendo aumento das linhas de ônibus para o locais dos próximos eventos, ria amavelmente na televisão de maneira que nos tranquilize e jure que jamais irá acontecer novamente. Sua professora deve ter te ensinado a fazer projetos, falta só a boa vontade de tentar resolver e a decência de assumir que não fez seu trabalho adequadamente. Ou melhor, que não vem fazendo seu trabalho adequadamente, pois qualquer evento nessa cidade (e especialmente na regional Centro-Sul) tem sido impossível.
Em terceiro lugar, acredito que na sua casa nem tudo você resolve com proibição. Por exemplo, quando sua filha quer ir pra uma festa, seu filho para um acampamento, sua mulher à promoção da M. Martam e você para algum Happy Hour na Pium-hi com seus outros colegas secretários, acredito que vocês tentam minimamente combinar as coisas, provavelmente você propõe a cópia das chaves de entrada do seu apartamento, aumenta o número de carros na casa (porque certamente sua família não utiliza o transporte púlico de Belo Horizonte, tendo em vista sua fala no Jornal O Tempo), ou algo assim. Imagino que se você proibir a todos de fazer o que eles têm direito de desejar vai dar problemas para você, sua família vai ficar irritada, vão parar de te respeitar e provavelmente não vão mais esperar por você para nada. Imagino igualmente que se algum de seus familiares escolher (arbitrariamente) que você não irá tomar a sua cerveja porque alguém tem que abrir a casa e que é você quem vai pagar o pato, não vai te deixar feliz, mas frustrado e revoltado.
Uma cidade é feita de pessoas como a sua família. Elas não gostam de proibições da mesma forma como você não gosta. Especialmente as proibições arbitrárias, intransigentes e higienistas que estão ocorrendo em Belo Horizonte, por pessoas que pensam assim como você. Acredite, não é um bom caminho. É muito melhor administrar pessoas felizes. Essa regrinha com certeza não foi a sua professora que te ensinou, mas a vida já devia ter feito você entender.
Lamento por você. Espero sua retratação no jornal.
Mirella Adriano.
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=184039%2COTE
domingo, setembro 25, 2011
ser-todo
Es apenas un cuchillo, le dije, lo que divide la vida entre el sol y la oscura hipótesis. Vivir, le dije, es esto cuchillo, pero no me oyó. Y sigue.
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