é duro negar a urgência, resignar o jejum e viver de medida.
Sábado, Junho 13, 2009
Terça-feira, Junho 02, 2009
Foi o seu prefácio que meu "deu o toque", professor. "Goza sem possuir, possui sem gozar". Já o tinha lido mais de dez vezes, mas naquele dia em especial, era o anoitecer mais estranho de todas as sextas-feiras. Atrás de mim, algumas pessoas tentavam afinar suas flautas a seus dedos, deviam ser jovens e estavam dispostas. Ao meu lado, um rapaz talvez tão solitário quanto eu tentava enviar uma mensagem a alguém, o que me impedia de esquivar à memória de que havia também aqueles a quem deveria eu ligar. À minha frente, duas afortunadas moças desenhavam sentadas na grama. Só saíram de lá quando uma nuvem baixa cobriu o pôr-do-sol e a luz se fez tão fraca que nada mais ultrajava nitidez: continuar seria um erro, uma perda de tempo, e partiram. Fiquei eu a lembrar das outras vezes que ali estive, tão diversas entre si e tão absolutamente opostas ao que trago agora, que neste mesmo mês do ano anterior não poderia sequer supor. Agora estávamos em constrangida evidência, eu e a noite, fecho o livro aberto entre as coxas, visto o casaco e retardo o caminho de volta para casa. Sinto uma fisgada no ombro esquerdo, salva por uma angina, penso, mas era apenas uma formiga.
Vai-te para longe de mim, hora.
O bater de tuas asas me excrucia.
Mas de minha boca, que fazer agora?
e da minha noite? e do meu dia?
Eu não tenho amada nem abrigo,
sequer um lugar para viver eu tenho.
Todas as coisas em que me empenho
tornam-se opulentas, acabam comigo.
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Sábado, Maio 16, 2009
meus olhos nos dela e ela me fita como se mais me soubesse, como se eu fosse vidro, cortina d'água, minha imagem toda entre-pálpebras e eu tingida de um vermelho tenso como se estivesse nua.
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Quinta-feira, Maio 14, 2009
cacos
Sempre tenho um certo medo bastante compreensível quando meu corpo me pede para voltar a dançar.
Despertei de um cochilo no meio do dia, num sobressalto, iluminada, como se naquele instante soubesse exatamente o que era a morte.
Fecha a porta, morena, me sorri esses dentes mais brancos que o copo de leite, e abre somente as persianas da janela para que o sol pouse devagar em teus olhos amarelos.
Sabe, o espírito, ninguém diz, mas tem um tamanho, ocupa como eu e você, a água, o ar e o inferno, um lugar no espaço. Ele escapa, ele aperta, ele encolhe, ele expande, ele atravessa, mas não ultrapassa, salvo engano, na maioria dos corpos. Seu tempo tem bem mais de três ponteiros, que o regem como um cabresto, isto é o espírito. A paz do corpo, me parece, é quando ele cabe como um sapato de número certo.
livre para fracassar.
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Segunda-feira, Maio 11, 2009
sendo sempre melhor permanecer vagante, para que o peito não concentre em um único sítio todo pavor que carrega.
Hoje choveu abruptamente em Belo Horizonte e eu estava desprevenida. Acredito-me também míope, ou astigmática, ou há dias a medida em que anoitece a cidade tem se transformado em algo que não reconheço. Deveria ter deixado fechada a porta da dispensa escura, suja e fria, onde escondo alguns caminhos.
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Quinta-feira, Abril 23, 2009
Hoje sentarei na praça, ao lado da cavalaria.
Ficarei feliz por estar em sua companhia
Vestida sem roupas e desarmada até os dentes.
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Segunda-feira, Abril 20, 2009
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
A minha independência tem algemas.
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12:43
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Sexta-feira, Abril 17, 2009
Eu me chamava Carmelita e tinha umas veias azuis meio saltadas na perna esquerda. De vez em quando eu supunha um amor, mas não passava da sexta-feira. Tinha em casa muito bem guardados três colares de contas e um potinho de pó de arroz Lady. Duas pedras gêmeas que havia me dado uma cigana na feira, estas eu carregava comigo, uma no pescoço, outra no sutiã. Depois me tornei Rosa, como as turmalinas.
Eu estava certa em supor amores. Andava descompassada puxando a pena esquerda, mas aquele nêgo que subia a ladeira achava que eu dançava. Me pegou num tombo, uma mão foi no colar e enrubresci como se tivesse um rouge Carmin.
Uma noite cheguei e tinha me pintado o barracão todo de verde e rosa. Então eu era sua bandeira verdadeira, a glória nacional, sua aquarela brasileira. Quando eu saía pedia tamborins de grande gala, para que eu passasse, de sandália e vestido de malha, no meio daqueles bambas. E eu desfilava pro meu mulato forte, cambaleando, era só o que eu queria.
Aquele ano minha escola estava tão bonita. Ensaiei meu samba o ano inteiro, gastei tudo em fantasia, ele dormiu todo o dia. Com muitos brilhos me vesti, depois me pintei. Eu saía para a avenida, ele vestia o bicolor já dizendo que eu era sua nega, sua musa, amada e idolatrada e que jurava por deus, jogava fora o chinelo, o baralho e a navalha e ia trabalhar. Era tudo o que eu queria ver.
Carnaval, desengano, deixei a dor em casa me esperando e brinquei. Precisei voltar mais cedo. Meu moreno fez bobagem, maltratou meu pobre coração, aproveitou a minha ausência e botou mulher sambando no meu barracão. Deixou que ela passeasse na favela com meu peignoir, minha sandália de veludo deu à ela para sapatear. Esse moreno me deixou sonhando, quarta-feira sempre desce o pano. Amaldiçoei o dia em que lhe conheci.
Hoje a perna anda pelas tabelas, não dança, desce o morro manca, e do tombo minha palma encontra o chão. Sei que o barracão dela anda todo azul e branco e que ela é sua diamantina presença, gota de luz sobre a relva, sua estrela guia, seu brilhante bem-querer.
- Vou abrir a porta para você entrar, mas não demore, que a outra pode lhe encontrar.
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
singela solução
para os fadados a serem brancos desde o dia do nascimento, fez-se a tinta de jenipapo.
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Sábado, Abril 11, 2009
Sim, levei o xeque-mate. Estava sentada na mesinha da praça e eles eram muito melhores que eu. Consegui algumas vitórias, às vezes até voava no tabuleiro, parecia que era tudo meu. Mas deveria ter parado partidas antes. Alguém me disse uma vez, "xadrez não é jogo para mulheres. Não tente o mundo dos homens, eles te puxarão o tapete quando mais distraída estiver. Não por mal, nem estarão errados, nada disso, é que, apenas, têm melhor consciência que as mulheres daquilo que é deles. E têm, geralmente, muito. Não jogue com os homens, eles sempre ganham". Estava olhando as montanhas naquele absurdo de verde, pensando que deveriam ser macias e doces, quando ouvi o estalido, ele batia freneticamente no sino do relógio, era a minha vez e eu deveria ver de imediato sua cilada. Seus amigos me olhavam, uns orgulhosos, outros se sentindo muito bem representados, outros com aquela cara de "eu já sabia", "lugar de mulher é no fogão"ou "bem que nós tentamos avisar" e eu olhava suplicante para a minha rainha, pedia ajuda, meu rei estava enrascado. Como não havia o que fazer levantei rapidamente, baixei a cabeça acenando agradecida aos senhores pelo privilégio da partida, como fariam os cavalheiros que eles não puderam ser. Meu rei não pôde fugir e eu não pude salvá-lo, e às minhas costas, os homens confrades comentavam que meu bando havia sido derrotado e já se retirava. Segui por uma estrada empoeirada amargando o gosto da derrota, e sabia que eles, ao anoitecer, ergueriam bandeiras e chamariam as moças. Brindariam até a madrugada o alívio e a amizade, o chão borrado pelos passos sobre a cerveja derramada de tanto baterem as canecas tão forte umas nas outras; o chão borrado pelos passos que pude dar mas marcado ainda mais forte pelo que apenas avisto, a festa, a companhia, a música leve, a amizade dos iguais.
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Quarta-feira, Abril 08, 2009
suspeitava
O fechamento em si mesmo, o enquistamento que ergue entre mim e o campo hostil uma barreira de proteção, é uma outra solução geralmente medíocre.
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18:12
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Sábado, Abril 04, 2009
Você vai resistir, mas vai se acostumar.
Em setenta, até já havia esquecido, ele tinha costeletas, lábio carnudo escarlate, dentes de marzipã, tantos cílios que pesam as pálpebras sobre os olhos verde-água, bigode terminando nas covas, uma energia revolucionária saltando a jugular e a testa franzida por uma inteligência ativa. Inaugurava o Teatro Bandeirantes e cantava os dias após os outros dias - e até acho que soubesse bem no que ia dar a passagem dos anos teria tido mais pudores.
Penso na minha mãe, aparece em meia dúzia de fotos avermelhadas com a minha idade, trabalhando 30% a mais que eu, cuidando de marido, dois filhos, mãe, pai, irmãos e enrolando os brigadeiros do meu aniversário, linda, muito mais que eu, e disposta. Só podia ser o Chico Buarque. Que ainda era lindo e jovem e aparecia cantando - você vai me velar, chorar, vai me cobrir e me ninar, menina - na televisão.
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Desceu pra ver de perto o asfalto quente
Sentir a brisa e a água salgada do mar.
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Domingo, Março 29, 2009
do que aprendi na cozinha
1. Aquilo do que dispomos é, afinal, a melhor proporção e a exata medida.
2. O experimento é a melhor experiência.
3. Confiar na intuição é, sem perceber, saber unir a certeza à incerteza, não gerando uma terceira coisa, mas operando com as duas ao mesmo tempo, dando-lhes igual valor.
4. Tudo depende de tudo e tudo age sobre tudo.
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Quinta-feira, Março 26, 2009
porque as esferas podem girar sobre si mesmas e sobre o círculo que as circunferem, existe dois movimentos na terra, a translação e a rotação. isso nos afeta diretamente, pois um marca os dias, e porque marca os dias, o outro, as estações, e assim, nós, inseridos tangecialmente no mundo, sentimos as semanas e as décadas, e as noites e os outonos.
porque estamos por cima, envolvendo, podemos pensar no mundo como uma bola de malabarista e o universo como um infinito picadeiro, e nossa vida, talvez um bonito espetáculo. os números mudam, alguns nos fazem chorar, outros não dão certo e somos obrigados a refazê-los, mas como a ciência que se sabe exata não tarda muito, às vezes não costuma falhar.
então, se continuarmos sempre com os pés firmes no chão, podemos sentir que a cada dia a terra fez a sua parte, e dentro da gente também nascem sóis, essas esferas amarelas bonitas que nos cegam e chamam. por isso admiro a geografia, por isso vejo mistério em trigonometria, por isso nunca as compreendi.
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Terça-feira, Março 24, 2009
muito cedo. pela segunda vez, mais quatro números. não me é pertimida a recepção:
É coleta?
não, é que tenho uma guia
Pode subir.
ele abre a porta, eu ainda pensava que deveria ter chegado há trinta, ou não ter saído de casa. o andar vazio era um agouro ensurdecedor.
era jovem e tinha os olhos azuis. parecia um colega do curso de francês, Bruno, e eu deveria parecer-lhe a alguém, senão não me olharia em terços.
a urgência opressora do centro da cidade se confundia com um novo de mim, exigindo que eu me fizesse cabisbaixa, que andasse para frente, que lavasse as mãos obsessivamente, a palavra dele erguendo andares na cabeça, eu arremessada ao porão, atrapalhada, asfixiada, molhada, ruidosa, como o centro da cidade em chuva ao meio dia.
Sente-se. Você precisa manter os olhos abertos, fixos e abertos, não dura mais que um toque.
não pude.
Não dói. Você só precisa mantê-los abertos até o final. Vou tocar de leve e você não vai nem sentir.
pisquei. uma lágrima escorreu do olho esquerdo, mas não sei bem porque.
Não se preocupe, só vamos tentar mais uma vez.
lembrei do centro da cidade, das pessoas obstinadas, dos casais nas praças, dos que não questionam seus sonhos, daquela festa africana, do passado distante quando as coisas eram bem mais simples, do ardor em meus olhos que não iria passar até que eu concedesse, de uma vez por todas, aquele toque mínimo e indolor.
de volta à mesa, de caneta em punho, perguntou de onde eu vinha e minha idade. entregou-me escrito:
Olhos calmos, córneas transparentes, pupilas reativas.
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Domingo, Março 22, 2009
na esquina daquela rua veio surgindo
amarelo e branco, assim meio desbotado
coxo e fatigado, um sorriso franco de
regalos de españa, um vidro de sal,
uma seda de lilases nascidos no outono
um punho fechado, ouro e prata, que
há muito se entrega como esperança.
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Sexta-feira, Março 20, 2009
Se chamava Pacífico e era o menor de todos os oceanos. Tocava dois ou três países e não ligava continentes. Não se destinou a obstinações humanas, ao tráfico obreiro, ao saque e estupro pirata. Tão pequenino; não tinha início nem fim, pois a nenhum lugar levava; era o principal destino dos banhistas. Abria-se para as crianças, para os animais e esperava semanas inteiras a lua vir banhar-se, e, quando a visita se fazia por completo dentro dele, muito alta madrugada, abundavam espumas nas ondas a ponto de encher o céu de bolhas de sal. Na costa de Pacífico costumava-se atribuir a essas bolhas, a manifestação de sua alegria, e dizia-se que quem entrasse no mar morno daquelas noites, dormiria o mais tranquilo dos sonos.
Pacífico, como os animais e as crianças, não tinha um programa. Ia-se e voltava-se, pulsando na areia, como bateria seu coração, se o tivesse. Desviava tempestades, enviava brisas pela manhã e as retinha durante a noite, orgulhoso de sua brincadeira de maresia, tinha apenas o tempo de viver. E, como se comporta o coração das crianças e dos animais, nada o detinha exatamente, apenas a visão daquilo do que mais gostava: o momento maravilhoso em que a lua despontava no céu - e vinha caindo lentamente em sua direção, aumentando sua felicidade em existir tão pequeno, pois tinha certeza, que se medisse um tanto mais, poderia perdê-la de vista.
Um dia a amiga não veio. Pacífico não se desesperou, podia ser que estivesse escondida por detrás das nuvens passageiras, embora pudesse distinguir perfeitamente marte, vênus e umas três estrelas já há muito mortas. Naquela manhã o sol despertou constrangido. Evitava olhar Pacífico que, àquelas alturas, mais parecia um lago. Sem saber, as crianças festejavam a completa inatividade do pequeno oceano. Entravam sem medo onde deveria ser cautela e mistério em qualquer um que fosse autoritário e sombrio. Previam, os pequeninos, que havia sido abolido definitivamente o limite que os separavam do horizonte. Enquanto Pacífico murchava, derramava, as crianças cresciam, a princípio somente as mais corajosas, depois, um bando delas.
A medida em que o tempo passava, a lua não vinha, Pacífico entrava mais na areia solta, matando-se aos poucos para diluir sua tristeza, e as crianças avançavam poderosas, seduzidas como marinheiros. Pacífico resistia e morria com a esperança de que algo se revelasse. Onde antes as crianças brincavam, hoje aquelas mesmas já haviam feito casas, ginásios, escolas, bares e outras crianças que, como mandava a nova tradição do lugar, também avançavam obstinadas o oceano, agora - desconfiava-se - até esquecidas do objetivo que teria impulsionado os primeiros desbravadores. Aparentemente, jamais souberam que naquele pequeno braço de mar a lua costumava desaparecer morna e nunca haviam presenciado uma bolha de sal.
Desde aquela noite a lua jamais voltou. O desparecimento de Pacífico não foi exatamente percebido, pois a cada dia significava uma coisa diferente para os moradores do que antes seria sua costa. Umas vezes era mais espaço para as necessárias construções, outras, aparente solução de problemas náuticos, ampliação de centros de convenções, plantação de arroz, parques, avenidas, contribuições científicas. Sua atitude não foi avaliada, como não se deve avaliar o compotamento dos pequeninos. Foi compreendida com tolerância - e satisfação - por aquele povo que já não se banhava mais em nenhum mar.
Depois que Pacífico desapareceu, processo que por sorte levou muitos anos de resigação - visto que ele jamais exigia nada, preferindo retirar-se a lidar com assaltos violentos a seu espaço, à sua dor e saudade; com a decepção em ver que aquele pequeninos, tão pequenos quanto ele, crescendo não à medida, mas por consequência de seu desaparecimento; e com a dor profunda e sem nome que, se solucionada, inundaria toda aquela nova cidade, bastando apenas que a lua voltasse - alguém mais antigo e mais atento teria percebido que por mais que se entrasse naquele mar, não havia horizonte a chegar. Aquele era um oceano tão pequenino que não ligava nenhum lugar a lugar algum, e era por isso que não se prestava aos ataques, às expedições, aos cruzeiros. Ele existia apenas para receber a lua, de quando em quando, uma vez por mês.
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Terça-feira, Março 17, 2009
Gosto de te imaginar cruzando uma rua, coarando no sol, e, distraído, reconhecer meu vestido verde do dia em que me conheceu. Acredito que iria prender os cabelos enquanto corria pelos traços brancos até o outro lado, eu de costas, olhando vitrines esquecida daquele dia mais abrupto. Então, claro como um cristal, pegaria em minha mão ainda voltada e de um giro, dedo silenciando minha boca palma em meus olhos lábios encostados aos meus ouvidos, diria eu também um fantasma, insistente vestido branco cruzando os carros nas avenidas, o tempo eclipsado de desde, até, diria de uma agulha no peito sangrando todos os dias o silêncio a distância o erro o acaso a saudade. Meus olhos fechariam, seria contramão onde era mão e os carros encenariam um ballet, todos os sinais, antes verdes, depois amarelos, sempre vermelhos tingindo o azul daquele céu mais caótico do Brasil. Meus lábios abririam levemente para cada um dos lados - não um sorriso assim largo como o seu -, minha mão seguraria seu dedo e a palma sentiria o calor dos seus olhos. Se me pedisse, te estenderia o meu tapete.
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Segunda-feira, Março 09, 2009
bichana.
Com os gatos também aprendi muitas coisas, mas a mais valiosa delas é que o outro, por ser, em alguma medida, uma extensão de nós mesmos, é sempre uma ameaça desconcertante. A consequência disso é que todo amor é produto de um longo processo de aceitação e tolerância, sustentado, ora pela disposição, ora pela resignação.
A felicidade é conseguir receber ao final de tudo, um tesouro como os que podemos, sem a menor chance de dúvida, encontrar nas pontas de cada arco-íris.
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Quarta-feira, Outubro 08, 2008
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Terça-feira, Outubro 07, 2008
l'ordre
- Laissez!
feliz aquele que sabe a hora de deixar, feliz quem sabe a hora de partir.
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Segunda-feira, Outubro 06, 2008
sons, palavras, são navalhas, e eu não posso cantar como convém sem querer ferir ninguém. mas não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo, isto é somente uma canção, a vida realmente é diferente, quer dizer; a vida é muito pior.
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